Professora afirma ter sido hostilizada durante consulta na zona norte da capital; Secretaria de Saúde determinou o afastamento temporário da profissional enquanto o caso é apurado.
Uma médica da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) José Rodrigues, localizada na Zona Norte de Manaus, foi acusada de constranger uma paciente durante uma consulta por suposta motivação política. A denúncia foi apresentada pela professora Helma Sampaio, coordenadora administrativa da Asprom Sindical, que afirma ter sido hostilizada após revelar que havia votado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Diante da denúncia, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) informou, na terça-feira (27), que a profissional será temporariamente afastada da unidade. A medida foi determinada pela direção da UPA e deverá permanecer em vigor até a conclusão da apuração e da avaliação da conduta da médica.
Segundo Helma, o episódio aconteceu na segunda-feira (26), quando ela procurou atendimento médico por apresentar alterações na pressão arterial. Durante a consulta, a paciente teria sido questionada sobre o que poderia estar provocando o problema de saúde.
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A professora relatou que respondeu estar ansiosa em razão das eleições realizadas no domingo (25). Conforme sua versão, a médica perguntou em quem ela havia votado. Ao declarar que seu voto havia sido destinado a Lula, Helma afirma que percebeu uma mudança no comportamento da profissional.
A paciente disse que, a partir daquele momento, a médica teria adotado uma postura arrogante e começado a tratá-la de maneira hostil. Em seu relato, Helma afirmou que se sentiu humilhada durante a consulta e questionou se a profissional daria continuidade ao atendimento.
Ainda segundo a professora, durante a discussão, a médica teria respondido ironicamente que era “faxineira”. Posteriormente, conforme a denúncia, a profissional passou a acusar a paciente de ter utilizado essa expressão para se referir a ela.
Helma, entretanto, negou ter chamado a médica dessa forma. A professora sustenta que a situação ocorreu após a declaração de sua preferência eleitoral e afirma que a discussão provocou constrangimento durante o atendimento na unidade pública de saúde.
A paciente também relatou que tentou fotografar a profissional durante o episódio. Segundo Helma, nesse momento, a médica teria ameaçado quebrar seu celular. A acusação integra o relato apresentado pela professora sobre o desentendimento ocorrido dentro da UPA.
De acordo com a denunciante, a discussão contribuiu para agravar seu estado de saúde, uma vez que ela já havia procurado a unidade por apresentar alterações na pressão arterial. Até a divulgação das informações, não havia sido apresentado um posicionamento da médica sobre as acusações feitas pela paciente.
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas informou que ainda não havia sido formalmente notificada sobre o caso. Apesar disso, a direção da unidade determinou o afastamento temporário da profissional até que os fatos sejam apurados e sua conduta seja avaliada.
A SES-AM ressaltou que o atendimento prestado nas unidades estaduais de saúde deve ser pautado pela ética, pelo respeito e pela dignidade dos pacientes. A orientação reforça a importância de que os usuários da rede pública sejam atendidos de maneira respeitosa, independentemente de suas opiniões ou preferências pessoais.
A apuração deverá analisar as circunstâncias relatadas pela paciente e avaliar a conduta da profissional durante o atendimento. O afastamento informado pela secretaria é temporário e está relacionado à investigação do episódio, não representando, por si só, uma conclusão definitiva sobre as acusações.
A secretaria também orienta que denúncias relacionadas ao atendimento na rede estadual de saúde sejam formalizadas junto à Ouvidoria. O registro pode ser realizado presencialmente em uma unidade de saúde ou na sede estadual, além da plataforma Fala.BR.
Segundo a orientação divulgada, a formalização da denúncia permite que o relato seja analisado conforme os procedimentos internos e receba os encaminhamentos cabíveis. O canal também possibilita que situações envolvendo o atendimento aos usuários sejam comunicadas oficialmente ao órgão responsável.
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O caso ganhou repercussão em Manaus por envolver uma denúncia de possível constrangimento durante um atendimento médico associado à manifestação de preferência política. Até que a apuração seja concluída, as acusações permanecem atribuídas à paciente, e não havia sido divulgado um posicionamento da médica sobre sua versão dos acontecimentos.