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Menopausa tem mais de 70 sintomas e vai além dos fogachos: veja impactos na autoestima, libido e vida social
Foto: Esin Deniz/ Shutterstock

Além das ondas de calor, climatério pode provocar alterações emocionais

menopausa costuma ser associada às ondas de calor e à irregularidade menstrual, mas a fase pode envolver uma série de mudanças físicas e emocionais. A literatura médica já descreveu mais de 70 sintomas relacionados ao climatério, período que antecede e acompanha a menopausa.

 

Entre as manifestações estão dores articulares, ressecamento da pele, irritabilidade, alterações na libido e mudanças na autoestima. Para algumas mulheres, os efeitos também podem interferir na vida social, na produtividade e na percepção sobre o próprio corpo.

 

Dados citados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 7,9% da população feminina brasileira está no climatério ou na menopausa. Entre essas mulheres, 82% apresentam sintomas que comprometem o bem-estar, mas muitas não procuram tratamento por acreditar que as alterações estão relacionadas apenas ao estresse ou à rotina.

 

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A psicóloga Maria José Travassos, de 65 anos, começou a perceber os primeiros sinais por volta dos 45 anos. Segundo ela, inicialmente vieram as alterações de temperatura, seguidas pelo aumento da irritabilidade.

 

“Os primeiros sintomas, o que chamam de perimenopausa, começaram aos 45 anos: os calores e frio, ora um, ora outro. Depois os sintomas se intensificaram, muita irritabilidade, muito calor, aquela coisa, ora com calor, ora com frio”, relatou.

 

Os efeitos do climatério não se limitam às manifestações físicas. A analista de comunicação Lídia Marques, de 43 anos, conta que percebeu mudanças emocionais e sexuais antes de iniciar a reposição hormonal.

 

“Antes de fazer a reposição hormonal, eu tinha outros sintomas, como irritabilidade e essa questão da libido, que afeta muito as mulheres na menopausa”, afirmou.

 

A terapeuta integrativa Ayeska Azevedo também chama atenção para aspectos que podem passar despercebidos, como queda da autoestima, dificuldade para lidar com as transformações do corpo, redução da libido e mudanças na convivência social.

 

Segundo ela, a avaliação das mulheres nessa fase deve considerar diferentes aspectos da vida, incluindo rotina, relacionamentos, histórico emocional e condições de saúde.

 

“Muitas mulheres chegam ao meu consultório apresentando um combo desses sintomas, mas têm dúvidas se eles são realmente parte do processo natural do amadurecimento da mulher”, explicou.

 

Em 2025, o Ministério da Saúde publicou um Informe de Evidência Clínica em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde voltado à atenção integral à saúde da mulher. O documento aborda práticas como fitoterapia, yoga, florais, acupuntura e aromaterapia como possibilidades complementares ao acompanhamento convencional.

 

1- Menstruação irregular(Imagem: Peakstock | Shutterstock) por Imagem: Peakstock | Shutterstock

Foto: Peakstock/ Shutterstock

 

Dados do Ministério da Saúde apontam que as Práticas Integrativas e Complementares registraram 7,16 milhões de atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2024, aumento de 70% em relação a 2022.

 

Ayeska ressalta, porém, que essas práticas não substituem a avaliação médica. O acompanhamento profissional é necessário para investigar alterações hormonais e definir as opções de tratamento mais adequadas para cada caso.

 

Entre as práticas citadas está a terapia floral. Os florais de Bach reúnem 38 essências elaboradas a partir de flores e sistematizadas pelo médico britânico Edward Bach entre 1926 e 1934.

 

De acordo com a terapeuta, as essências são utilizadas com foco em aspectos emocionais, como irritabilidade, ansiedade, fadiga e dificuldade de adaptação às mudanças. A proposta é atuar como complemento ao cuidado convencional, sem substituir diagnóstico ou tratamento médico.

 

“É importante considerar que muitos dos sintomas do climatério e da menopausa mexem com o lado emocional da mulher, com a forma como ela se vê e como participa da vida”, afirmou Ayeska.

 

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A atenção a esses diferentes aspectos pode ajudar a identificar os impactos do climatério e buscar formas adequadas de lidar com as mudanças, sempre com acompanhamento de profissionais de saúde quando necessário. 

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