Conversas apreendidas em investigação sobre a milícia “A Turma” mencionam Lucas Kallas ao lado de Daniel Vorcaro; empresário nega sociedade com o banqueiro
Mensagens obtidas pela Polícia Federal e anexadas ao inquérito que investiga a atuação da milícia privada conhecida como “A Turma” mencionam o empresário Lucas Pedro Kallas como suposto sócio do banqueiro Daniel Vorcaro em negócios ligados aos setores de mineração e saúde.
As conversas foram identificadas em 6 de março de 2025, data em que Daniel Vorcaro e Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, foram presos. O conteúdo das mensagens passou a integrar as investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Nas conversas, Bruno Corrêa Lopes, apontado como parceiro do “Sicário” e réu por organização criminosa e lavagem de dinheiro, teria informado a Manoel Mendes Rodrigues, conhecido como Manolo Dom, que Kallas estaria entre os próximos alvos da Polícia Federal.
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Segundo a investigação, Bruno escreveu que “Henrique e Kallas” seriam os próximos nomes a serem alcançados pela operação. Em seguida, afirmou que Kallas estaria distante e teria “vazado”.
Manolo questionou quem seria o empresário citado. Bruno respondeu que se tratava de um bilionário que seria “sócio” de Vorcaro em negócios relacionados à mineração e ao setor hospitalar.
A Polícia Federal avalia que o nome mencionado nas mensagens provavelmente seja Lucas Pedro Kallas, empresário ligado à Cedro Participações, holding com atuação no setor de mineração.
De acordo com a PF, informações disponíveis publicamente indicam que Kallas já foi alvo de investigações e manteve participação societária ou negócios em comum com Vorcaro em determinadas empresas. A existência e a natureza dessas relações, contudo, são pontos analisados no contexto das investigações.
As mensagens também fazem referência à contratação da esposa do ministro Alexandre de Moraes para atuar na defesa de Kallas em um processo em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).
O assunto ganhou novo destaque nesta quinta-feira (17), após informações sobre um repasse de R$ 5,2 milhões feito pela Cedro Participações ao Instituto de Estudos Jurídicos e Econômicos (Iter), entidade vinculada ao ministro André Mendonça.
Segundo informações divulgadas pelo UOL, o valor foi acertado em abril de 2024 por meio de um contrato de mútuo conversível, modalidade de empréstimo que pode, conforme as condições estabelecidas, ser convertido em participação societária.
O Iter, entretanto, decidiu interromper os repasses e iniciou a devolução dos recursos à Cedro em janeiro de 2026. A medida ocorreu antes de André Mendonça ser sorteado como relator das investigações relacionadas ao Banco Master.
O instituto nega que Daniel Vorcaro tenha participado das negociações envolvendo o contrato e afirma que não tinha conhecimento de eventuais relações societárias ou empresariais mantidas pela Cedro Participações ou por Lucas Kallas.
Em nota, o Iter afirmou ainda que André Mendonça e Lucas Kallas não participaram da definição dos termos, valores ou assinatura do contrato. Segundo a instituição, o valor foi integralmente depositado na conta da pessoa jurídica e teria destinação exclusiva para a estruturação e operacionalização do instituto.
O Iter também declarou que os recursos são acompanhados por controles contábeis e fiscais e negou ter realizado distribuição de lucros, dividendos ou participações nos resultados a acionistas, sócios ou administradores.
A instituição afirmou ainda que, durante o período em que André Mendonça integrou o Iter, sua atuação ficou restrita ao magistério no âmbito acadêmico, sem recebimento de contrapartida financeira.
Sobre Lucas Kallas, o instituto declarou que, no momento da assinatura do contrato, o empresário integrava o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável da Presidência da República e, segundo a entidade, não possuía impedimentos legais para realizar o negócio.
O Iter também negou qualquer relação com o Banco Master ou com Daniel Vorcaro e afirmou que eventuais acontecimentos posteriores não alterariam a legalidade do contrato firmado com a Cedro.
A Cedro Participações, por sua vez, negou que Lucas Kallas tenha sido sócio de Daniel Vorcaro. Em nota, a empresa afirmou que a aproximação com companhias ligadas ao grupo do banqueiro ocorreu em razão de investimentos realizados em empresas de capital aberto.
Segundo a Cedro, a aquisição de participações em companhias negociadas no mercado acionário não caracteriza sociedade comercial entre os investidores.
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As mensagens citadas pela Polícia Federal fazem parte de um conjunto de elementos analisados nas investigações e, isoladamente, não comprovam a existência de uma sociedade entre Kallas e Vorcaro. O caso continua sendo apurado pelas autoridades.