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Mensagens indicam que Vorcaro e sócio negociaram compra do Correio Braziliense e influência editorial
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Conversas extraídas do celular do dono do Banco Master apontam que o grupo teria assumido o editorial do jornal em abril de 2025 e avançado em um acordo de compra, que não foi concluído.

Mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o empresário Flávio Carneiro indicam que os dois negociaram a aquisição do jornal Correio Braziliense e discutiram estratégias para influenciar o conteúdo editorial da publicação. Os diálogos, divulgados recentemente, mostram que as tratativas avançaram em 2025, mas não chegaram a se concretizar antes da liquidação do banco, em novembro daquele ano.

 

Em 10 de abril de 2025, Carneiro encaminhou a Vorcaro um relatório sobre o modelo de negócio discutido com Leo Palhares, no qual afirmou que o grupo havia “assumido o editorial do Correio” desde o primeiro dia daquele mês.

 

Na mesma mensagem, o empresário mencionou um prazo de 35 dias para apresentar precatórios à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). A estratégia envolveria o uso desses créditos federais para amortizar dívidas inscritas na dívida ativa da União.

 

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Segundo informações do portal da PGFN citadas no material, o Correio Braziliense acumulava débitos de R$ 589,4 milhões com o governo federal. A dívida total do grupo Diários Associados, controlador do jornal, chegava a R$ 1,4 bilhão.

 

As conversas sobre a aquisição do jornal começaram a aparecer nos diálogos divulgados em janeiro de 2024. Na ocasião, Carneiro mencionou um possível acordo com uma jornalista para integrar o projeto do Correio Braziliense, assumir uma coluna e contribuir para ampliar a audiência.

 

 

Em 26 de abril de 2025, Vorcaro e o sócio também conversaram sobre a divulgação da participação do banqueiro no I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em Londres, com a presença de autoridades. Na ocasião, Carneiro sugeriu publicar uma nota sobre o assunto no jornal.

 

Meses depois, em 12 de agosto, o empresário informou que o contrato relacionado à compra havia sido assinado. “Correio assinado. Agora depende só de nós”, escreveu. Ao ser questionado por Vorcaro sobre o destinatário do acordo, Carneiro respondeu que o documento era destinado ao veículo que os dois estavam estruturando e que a minuta estava pronta, sem necessidade de alterações.

 

 

Apesar do avanço das tratativas, a iniciativa não se concretizou antes da liquidação do Banco Master, em novembro de 2025.

 

CONVERSAS CITAM PRESSÃO POR COBERTURA FAVORÁVEL

 

Os diálogos também indicam que Vorcaro cobrava uma abordagem favorável ao Banco Master em veículos de comunicação com os quais mantinha interlocução.

 

Em 30 de março de 2025, dois dias após o anúncio de que o Banco de Brasília (BRB) compraria o Master, o banqueiro reclamou com Carneiro que nenhum veículo do grupo havia publicado uma análise positiva sobre a operação. Ele pediu que o sócio acionasse o Correio Braziliense e o portal Platô.

 

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Vorcaro afirmou que as publicações deveriam apresentar argumentos favoráveis à negociação e contestar reportagens críticas. Na ocasião, declarou acreditar que o Banco Central não rejeitaria a operação. Meses depois, em setembro de 2025, o órgão regulador vetou a compra, e o Banco Master foi liquidado em novembro.

 

JORNAL TAMBÉM FOI CITADO EM ESTRATÉGIA CONTRA CRÍTICO

 

Em agosto de 2025, Carneiro informou a Vorcaro que iria a Brasília para alinhar com o Correio Braziliense e o Platô uma reação contra Ricardo Cappelli (PSB), ex-candidato ao governo do Distrito Federal que publicava críticas ao Banco Master e ao BRB.

 

Segundo as mensagens, Vorcaro utilizou a expressão “moer” ao se referir a Cappelli, enquanto Carneiro respondeu que pretendia intensificar as críticas contra ele.

 

Seis dias depois, o sócio encaminhou ao banqueiro oito perguntas que havia recebido sobre as negociações envolvendo o jornal.

 

Em 1º de setembro de 2025, Carneiro voltou a cobrar uma definição sobre a compra. Ele afirmou que estava “segurando na unha” as tratativas relacionadas ao Correio Braziliense e aos Diários Associados e disse que a documentação estava pronta para ser assinada, dependendo apenas de uma decisão de Vorcaro.

 

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As mensagens divulgadas descrevem negociações comerciais e conversas sobre a atuação editorial do jornal. O material, por si só, não esclarece todos os termos do acordo nem confirma que a aquisição tenha sido efetivamente concluída. 

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