Tarifas dos EUA aumentam interesse do Brasil, mas aproximação esbarra em questões internas dê um conteúdo benefício do assinante Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler. Carregando Carregando...
Após a assinatura do acordo comercial com a União Europeia, o Mercosul deve concentrar esforços na aproximação econômica com a China. A iniciativa ganha força em meio ao aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e à busca por novos mercados para as exportações sul-americanas.
A China é o principal parceiro comercial do bloco. Em 2025, o país asiático respondeu por aproximadamente 28% do comércio exterior do Mercosul, enquanto a União Europeia representou cerca de 17%. O Brasil concentra a maior parte das exportações do grupo e teria papel central em uma eventual negociação.
A possibilidade de avançar nas tratativas ganhou impulso após uma conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente chinês Xi Jinping, no fim de julho. Segundo informações do governo brasileiro, os dois líderes concordaram sobre a importância de acelerar o diálogo para uma parceria comercial, com as flexibilizações necessárias.
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A aproximação também ocorre diante das tarifas adicionais aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Nesse cenário, um eventual acordo com a China poderia ampliar oportunidades para exportadores, especialmente dos setores agropecuário, mineral e industrial, além de facilitar investimentos em infraestrutura.
Especialistas avaliam que as negociações com os chineses poderiam avançar de maneira diferente das tratativas com a União Europeia, que levaram mais de duas décadas para serem concluídas. No entanto, ainda não existe um cronograma formal para o início das negociações entre o Mercosul e a China.
Um dos principais obstáculos está nas diferenças entre os países integrantes do bloco. Brasil e Argentina mantêm relações comerciais relevantes com Pequim, enquanto o Paraguai reconhece diplomaticamente Taiwan, questão que dificulta um entendimento com o governo chinês. O Uruguai, por sua vez, defende maior flexibilidade para negociar acordos comerciais.
Diante dessas divergências, especialistas consideram possível que as primeiras iniciativas envolvam um acordo mais limitado, voltado à redução de tarifas específicas e à facilitação do comércio, em vez de um tratado amplo de livre comércio. A proposta dependerá do consenso entre os integrantes do Mercosul.
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A eventual parceria poderá abrir novas oportunidades comerciais e ampliar investimentos em portos, ferrovias, rodovias e outros projetos estratégicos. Apesar disso, o avanço das negociações dependerá das decisões políticas dos governos envolvidos e da capacidade do bloco de superar divergências internas.