Novo modelo aposta em tecnologia, integração de dados e atendimento universal para ampliar o acesso à saúde.
O México iniciará, em janeiro de 2027, a implementação de um novo sistema público de saúde inspirado no Sistema Único de Saúde (SUS), com o objetivo de ampliar o acesso gratuito e universal aos serviços médicos em todo o país.
A primeira fase do programa começará já na próxima semana, com o cadastramento de pessoas com mais de 85 anos e seus cuidadores, previsto para ocorrer entre os dias 13 e 30 de abril. Esse processo inicial será realizado em 24 dos 31 estados mexicanos, com equipes atuando em 47 municípios — incluindo todas as regiões administrativas da Cidade do México e expectativa de alcançar cerca de 2 milhões de pessoas em mais de 2 mil pontos de atendimento.
Um dos pilares do novo modelo será a integração de dados dos pacientes. A proposta prevê a unificação das informações médicas atualmente dispersas entre diferentes instituições, permitindo que profissionais de saúde tenham acesso ao histórico clínico completo dos usuários. Para isso, o governo pretende lançar um aplicativo digital que reunirá prontuários, resultados de exames laboratoriais e outros registros importantes.
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Além da digitalização, o sistema contará com investimentos em infraestrutura e logística, garantindo o abastecimento regular de medicamentos, funcionamento adequado de unidades de saúde e ampliação de salas cirúrgicas. Entre as áreas prioritárias estão atendimentos de urgência, gravidez de alto risco, infartos, doenças neurológicas, câncer de mama, saúde mental e acompanhamento de condições crônicas.
Na etapa seguinte, prevista para 2028, o governo mexicano pretende fortalecer o intercâmbio de serviços entre as redes de saúde, com foco na ampliação do acesso a especialistas, no fornecimento de medicamentos e no atendimento a doenças crônico-degenerativas, como Alzheimer, osteoartrite e artrite reumatoide.
Outro ponto central do projeto é a criação de um documento único de identificação em saúde, que será entregue cerca de seis semanas após o cadastro. Esse registro substituirá os sistemas atualmente utilizados por instituições como o Instituto Mexicano do Seguro Social (IMSS), o Instituto de Seguridade e Serviços Sociais dos Trabalhadores do Estado (ISSSTE) e o sistema de saúde da Pemex, promovendo maior integração e eficiência.
Atualmente, o sistema mexicano é fragmentado, com diferentes modelos de atendimento para trabalhadores formais, autônomos e beneficiários de programas públicos, além da presença do setor privado. A proposta busca unificar essas estruturas e reduzir desigualdades no acesso aos serviços.
A presidenta Claudia Sheinbaum destacou que o governo seguirá divulgando informações semanais sobre o cronograma e os locais de cadastramento, com o objetivo de garantir transparência e facilitar a adesão da população.
Dados da Organização Pan-Americana da Saúde mostram que o México possui atualmente cerca de 128 milhões de habitantes, com expectativa de vida média de 75 anos. O país também apresenta desafios estruturais, como a distribuição desigual de profissionais de saúde e a necessidade de ampliar o acesso digital atualmente disponível para cerca de 72% da população.
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Com a nova proposta, o governo mexicano pretende modernizar o sistema de saúde, ampliar a cobertura e garantir atendimento mais eficiente, integrado e acessível para todos os cidadãos.