Milhares de pessoas cruzaram a fronteira entre o Marrocos e o enclave espanhol nesta semana, deixando mortos e levando a Espanha a reforçar a segurança. Veja o que já se sabe sobre a crise migratória
A cidade espanhola de Ceuta, localizada no norte da África, voltou a enfrentar uma forte crise migratória após a chegada de mais de 49 mil imigrantes nas últimas 24 horas, segundo o Ministério do Interior da Espanha. A maioria dos recém-chegados é formada por cidadãos marroquinos, entre eles jovens, famílias e crianças, que atravessaram a fronteira principalmente pelo mar. Diante da situação, o governo espanhol enviou militares para reforçar a segurança e conter o fluxo de pessoas.
A travessia deixou ao menos 24 mortos, de acordo com a agência espanhola EFE. As vítimas foram encontradas nas águas próximas ao enclave espanhol, considerado uma das principais portas de entrada para a União Europeia. Embora Ceuta esteja localizada no continente africano, o território pertence à Espanha e integra o bloco europeu, tornando-se um destino frequente para migrantes que buscam melhores condições de vida.
O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez mobilizou unidades do Exército para apoiar a Guarda Civil e a polícia, que afirmaram estar sobrecarregadas diante do grande número de chegadas. Sánchez também anunciou uma visita à cidade acompanhado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, além de reforçar a cooperação com o Marrocos para ampliar o controle da fronteira e acelerar a análise dos processos de imigração e possíveis deportações.
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A União Europeia declarou apoio à Espanha e informou que avalia ampliar a atuação da Frontex, agência responsável pelo controle das fronteiras externas do bloco. A nova onda migratória lembra a crise registrada em maio de 2021, quando cerca de cinco mil pessoas cruzaram a fronteira em apenas um dia durante um período de tensão diplomática entre Espanha e Marrocos por causa da disputa envolvendo o Saara Ocidental.
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Foto: Antonio Sempere / AFP
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Segundo as autoridades espanholas, ainda não há uma explicação definitiva para o aumento das travessias, mas há indícios de atuação de organizações criminosas especializadas no tráfico de pessoas. A maior parte dos migrantes chegou nadando ao redor dos quebra-mares da praia de Tarajal ou atravessando áreas costeiras da fronteira. Agora, todos serão identificados e encaminhados para centros de acolhimento, onde terão seus pedidos de proteção internacional analisados ou poderão ser devolvidos ao Marrocos, conforme os acordos bilaterais e a legislação espanhola.