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Ministro da Justiça da França admite falhas após onda de violência que deixou mais de 2,3 mil detidos
Foto: Muhammed Said Tako/Anadolu via Getty Images

Protestos contra o alto custo de vida provocaram confrontos, saques e destruição em diversas cidades francesas. Governo reconheceu problemas na atuação dos serviços de inteligência e das forças de segurança.

O ministro da Justiça da França, Gérald Darmanin, reconheceu nesta segunda-feira (19) que as autoridades cometeram falhas durante a onda de violência registrada no país ao longo do fim de semana. As manifestações, inicialmente organizadas contra o alto custo de vida e as condições dos serviços públicos, terminaram em confrontos com policiais, saques e depredações em diferentes cidades francesas.

 

Segundo Darmanin, os serviços de inteligência não estavam suficientemente preparados para acompanhar a atuação de grupos envolvidos nos episódios de violência. O ministro afirmou que os responsáveis pelos ataques contra agentes de segurança e estabelecimentos comerciais serão identificados e responsabilizados judicialmente.

 

De acordo com o balanço divulgado pelas autoridades, 2.331 pessoas foram detidas durante o fim de semana, sendo aproximadamente 70% maiores de idade. Mais de 80% dos casos já haviam resultado na abertura de procedimentos judiciais, enquanto dezenas de suspeitos permaneciam em prisão preventiva.

 

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As manifestações atingiram cidades como Paris, Marselha e Limoges. Na capital francesa, cerca de 350 pessoas foram detidas entre domingo (18) e a madrugada desta segunda-feira, enquanto aproximadamente 30 estabelecimentos comerciais foram saqueados. Em Limoges, um prédio da prefeitura foi incendiado durante os confrontos.

 

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, também reconheceu problemas no planejamento das operações policiais. Apesar da mobilização de aproximadamente 60 mil agentes de segurança no sábado (17), as autoridades enfrentaram dificuldades para controlar os distúrbios em algumas regiões do país.

 

Diante da crise, o presidente Emmanuel Macron rejeitou o pedido de demissão apresentado por Nuñez e determinou que ele permanecesse no cargo. O presidente também exigiu esclarecimentos sobre as falhas identificadas e cobrou medidas para impedir novos episódios de violência.

 

Os prejuízos provocados pelos protestos também preocupam o setor comercial. Segundo estimativas de representantes das Câmaras de Comércio e Indústria da França, mais de 2 mil estabelecimentos foram atingidos por atos de vandalismo e saques, com perdas financeiras que podem alcançar centenas de milhões de euros.

 

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O primeiro-ministro Sébastien Lecornu convocou uma reunião de crise para discutir medidas de apoio aos comerciantes e acompanhar os desdobramentos judiciais. O governo francês também pretende reunir representantes políticos, sindicatos e autoridades locais para buscar soluções diante da escalada de violência e das reivindicações relacionadas ao custo de vida e à qualidade dos serviços públicos.

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