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Mistério e contradições: Polícia pede prisão de tenente-coronel suspeito de matar esposa em São Paulo
Foto: Reprodução

Caso que começou como suicídio ganha novos rumos após laudos, depoimentos e indícios que levantam suspeitas de feminicídio

A Polícia Civil de São Paulo solicitou, nesta terça-feira (17), a prisão preventiva do tenente-coronel da Polícia Militar, Geraldo Leite Rosa Neto, investigado pela morte da própria esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos. A policial foi encontrada com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde o casal morava, no bairro do Brás, região central da capital paulista.

 

Inicialmente tratado como suicídio, o caso passou a ser investigado como morte suspeita após o surgimento de inconsistências no relato do oficial e a descoberta de novos elementos durante as investigações. Até a última atualização, o Poder Judiciário ainda não havia se manifestado sobre o pedido de prisão. A defesa do tenente-coronel não respondeu aos questionamentos da imprensa.

 

Familiares da vítima relataram à polícia que o relacionamento entre Gisele e o marido era marcado por conflitos e comportamento possessivo. Em depoimento, a mãe da soldado afirmou que a filha era proibida de usar itens como batom, salto alto e perfume, evidenciando um possível padrão de controle por parte do oficial.

 

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Mensagens obtidas pela defesa da família reforçam o clima de medo vivido pela policial. Em uma delas, Gisele desabafa com uma amiga: “Qualquer hora ele me mata”, indicando receio diante das crises de ciúmes do marido.

 

VERSÃO DO TENENTE-CORONEL

 

Em depoimento, Geraldo Leite Rosa Neto afirmou que, na manhã do ocorrido, acordou por volta das 7h e foi conversar com a esposa, com quem já mantinha uma convivência distante segundo ele, os dois dormiam em quartos separados há cerca de oito meses.

 

Ele relatou que sugeriu a separação definitiva, o que teria provocado uma reação exaltada de Gisele, que o empurrou para fora do quarto e bateu a porta. Em seguida, disse ter ido tomar banho e, enquanto estava no banheiro, ouviu um disparo.

 

O oficial afirmou que, ao sair, encontrou a esposa caída no chão, com uma poça de sangue ao redor da cabeça. Disse ainda que abriu a porta do apartamento e acionou os serviços de emergência.

 

CONTRADIÇÕES E DÚVIDAS NO CASO

 

O relato do tenente-coronel, no entanto, apresenta divergências em relação a outros depoimentos e provas reunidas. Uma vizinha afirmou ter ouvido um único disparo por volta das 7h28. Já os registros indicam que a primeira ligação do oficial foi feita apenas às 7h57, para a Polícia Militar, seguida por contatos com o Corpo de Bombeiros e o Samu.

 

Além disso, socorristas que atenderam a ocorrência relataram comportamento incomum do oficial, que não demonstrava desespero e permaneceu ao telefone durante o atendimento à vítima.

 

Um dos profissionais chegou a fotografar a cena por considerar a posição da arma suspeita ela estaria encaixada na mão da vítima de forma incompatível com casos típicos de suicídio.

 

Outros indícios reforçam as dúvidas: o sangue já apresentava sinais de coagulação avançada, o cartucho da bala não foi encontrado e, apesar de afirmar que estava no banho no momento do disparo, o oficial estaria seco, sem vestígios de água no ambiente.

 

LAUDO PERICIAL LEVANTA NOVA HIPÓTESE

 

A reviravolta nas investigações ocorreu após a exumação do corpo e a realização de um novo laudo necroscópico. O exame apontou lesões no rosto e no pescoço de Gisele, além de indícios de que ela pode ter desmaiado antes de ser atingida pelo tiro.

 

Peritos também destacaram a ausência de sinais de defesa, o que reforça a suspeita de que a vítima não teve ??????????????? de reagir.

 

CONDUTA APÓS O CRIME E POSSÍVEL INTERFERÊNCIA

 

Testemunhas relataram ainda que, após o ocorrido, o tenente-coronel teria tomado banho mesmo após orientação para não alterar a cena. Policiais que estiveram no local afirmaram que ele retornou com forte cheiro de produto químico.

 

Outro ponto grave envolve a possível limpeza do apartamento. De acordo com relatos, três policiais militares foram ao imóvel horas depois do crime para realizar a limpeza, o que pode ter comprometido a preservação de provas.

 

Segundo o oficial, a ação teria sido autorizada por um superior, com o objetivo de poupar a família da vítima, que iria ao local buscar pertences pessoais.

 

INVESTIGAÇÃO EM ANDAMENTO

 

O caso é investigado pelo 8º Distrito Policial, no Brás, com acompanhamento da Corregedoria da Polícia Militar. A corporação informou que o tenente-coronel foi afastado das funções desde o início de março, a pedido dele próprio.

 

Com o avanço das investigações, a hipótese de feminicídio ganha força diante dos elementos reunidos, incluindo histórico de relacionamento abusivo, inconsistências no depoimento do suspeito e evidências periciais.

 

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A Polícia Civil segue reunindo provas para esclarecer as circunstâncias da morte de Gisele Alves Santana, em um caso que levanta questionamentos sobre violência doméstica, abuso de poder e possível tentativa de encobrir um crime.
 

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