Tecnologia flexível consegue percorrer regiões de difícil acesso e foi projetada para realizar exames, coletar tecidos e administrar medicamentos.
Engenheiros do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, desenvolveram um robô flexível inspirado no movimento das serpentes para auxiliar no diagnóstico e no tratamento de doenças do intestino delgado. Batizado de BIOSENTER, o dispositivo foi projetado para alcançar regiões do órgão que apresentam dificuldades de acesso durante procedimentos médicos convencionais.
O intestino delgado tem aproximadamente seis metros de comprimento e fica localizado profundamente no sistema digestivo. Por isso, a investigação de problemas como sangramentos, lesões e obstruções pode exigir procedimentos complexos e demorados.
A estrutura do robô imita o deslocamento das cobras. Seu corpo tubular possui câmaras que são infladas em diferentes combinações, permitindo que o equipamento avance e faça curvas dentro do órgão. O revestimento externo também recebeu uma textura especial inspirada nas escamas dos animais, que aumenta a aderência às paredes intestinais.
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O sistema conta com segmentos infláveis nas extremidades, que se prendem alternadamente à parede do intestino para ajudar no deslocamento. A tecnologia utiliza estruturas inspiradas no kirigami, técnica japonesa de dobraduras e cortes em papel, adaptada para melhorar a tração sem exigir alongamento excessivo dos tecidos.
Além de percorrer o intestino, o BIOSENTER foi desenvolvido para realizar diferentes funções médicas. O equipamento possui uma câmera para produzir imagens em tempo real, um dispositivo para liberar medicamentos e instrumentos capazes de coletar amostras de tecido para biópsias ou retirar pequenos pólipos.
O robô é conectado a um sistema externo por meio de um cabo e pode ser conduzido por um profissional de saúde com auxílio de um controle. O projeto prevê a introdução do dispositivo no organismo pela boca ou pelo reto, dependendo da necessidade do procedimento.
Nos primeiros testes com animais, os pesquisadores conseguiram fazer o equipamento percorrer aproximadamente dois metros do intestino delgado. Durante os experimentos, também demonstraram o funcionamento da câmera, dos instrumentos de coleta de tecidos e do mecanismo de administração de líquidos.
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A pesquisa foi publicada em outubro de 2026 na revista científica Science Robotics. Apesar dos resultados iniciais, a tecnologia ainda está em fase experimental e não foi testada em seres humanos. Os pesquisadores trabalham no aprimoramento da navegação e na avaliação de novas aplicações para que o equipamento possa, futuramente, contribuir com exames e tratamentos gastrointestinais.