Artista japonês foi responsável pelas ilustrações de uma das histórias de boxe mais famosas dos quadrinhos e marcou gerações de leitores ao longo de sete décadas de carreira.
O mangaká japonês Tetsuya Chiba morreu aos 87 anos, no dia 22 de outubro, em um hospital de Tóquio. A morte foi anunciada nesta terça-feira (27) pela editora Kodansha e repercutiu na imprensa internacional. O artista ficou conhecido mundialmente pelo trabalho em Ashita no Joe, uma das obras mais influentes da história dos mangás esportivos.
Publicado originalmente entre 1968 e 1973, Ashita no Joe conta a história de Joe Yabuki, um jovem órfão que encontra no boxe uma oportunidade de transformar a própria vida. Chiba foi responsável pelas ilustrações da obra, escrita em parceria com o roteirista Asao Takamori, também conhecido como Ikki Kajiwara.
A história alcançou enorme popularidade no Japão e ultrapassou os limites dos quadrinhos, tornando-se um fenômeno cultural. A trajetória do protagonista e os desafios enfrentados por personagens de origem humilde conquistaram leitores, especialmente entre os jovens e trabalhadores japoneses do período pós-guerra.
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Nascido em Tóquio, em 11 de janeiro de 1939, Chiba passou parte da infância na região da Manchúria, no nordeste da China, durante a ocupação japonesa. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, ele e sua família enfrentaram dificuldades antes de retornar ao Japão, em 1946. As experiências da infância influenciaram sua visão sobre a guerra e a importância da paz.
O artista iniciou a carreira profissional em 1956 e desenvolveu uma trajetória marcada por histórias de diferentes modalidades esportivas e personagens populares. Entre seus trabalhos de destaque também estão Ore wa Teppei, sobre beisebol e artes marciais, e Notari Matsutaro, centrado no sumô. Suas obras ajudaram a consolidar o esporte como tema importante na indústria dos mangás.

Foto: Reprodução
Ao longo de aproximadamente 70 anos de carreira, Chiba recebeu importantes reconhecimentos por sua contribuição à cultura japonesa. Em 2022, tornou-se um dos primeiros criadores de mangá a integrar a Academia de Artes do Japão. Em 2024, recebeu a Ordem da Cultura, uma das mais importantes honrarias concedidas pelo governo japonês.
Além da produção artística, Chiba também atuava na representação da categoria e presidia a Associação de Cartunistas do Japão. Seu trabalho contribuiu para ampliar o reconhecimento dos quadrinhos como expressão artística e cultural, influenciando novos profissionais e leitores dentro e fora do país.
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A morte do artista representa uma perda significativa para o universo dos quadrinhos japoneses. Sua obra permanece como referência para diferentes gerações, especialmente por abordar temas como superação, desigualdade social, perseverança e dignidade humana. O legado de Tetsuya Chiba continua presente na história dos mangás e na cultura popular japonesa.