Boletim de ocorrência aponta ausência de imagens do momento dos disparos; caso é investigado pelo DHPP e acompanhado pela Corregedoria da Polícia Militar.
A morte do pastor José Carlos da Rocha Sobrinho, de 42 anos, durante uma abordagem da Polícia Militar na zona leste de São Paulo, ganhou novos desdobramentos após a divulgação do boletim de ocorrência. O documento revela que as câmeras corporais utilizadas pelos policiais envolvidos teriam sido acionadas apenas após os disparos, deixando sem registro em vídeo o momento em que o religioso foi baleado.
O caso aconteceu na noite de segunda-feira (13), no bairro São Rafael. Segundo a versão apresentada pelos policiais da Companhia de Ações Especiais de Polícia (Caep), José Carlos conduzia um veículo quando teria desobedecido à ordem de parada. Ainda conforme o relato, o pastor teria sacado uma pistola com a numeração raspada e apontado a arma na direção dos agentes, que reagiram efetuando disparos.
José Carlos foi atingido por tiros no pescoço, na parte de trás da cabeça e na coxa. Ele chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Sapopemba, mas não resistiu aos ferimentos.
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O boletim de ocorrência informa que os equipamentos de gravação teriam sido ligados somente depois da intervenção policial, impossibilitando o registro da abordagem e do momento em que os tiros foram disparados. No entanto, o mesmo documento apresenta uma informação que gerou questionamentos: nos campos de identificação dos cinco policiais envolvidos consta a anotação "Não Usou BodyCam", sem esclarecer a relação entre esse registro e a informação de que as câmeras teriam sido ativadas após os disparos.
Além da ausência de imagens das câmeras corporais, a Polícia Civil informou que não foram localizadas câmeras de segurança na região que tenham registrado a ocorrência. Com isso, a dinâmica da abordagem será reconstruída a partir de perícias, depoimentos e demais provas coletadas durante a investigação.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que o caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). A pasta afirmou que os policiais utilizavam câmeras corporais e que o cumprimento do protocolo para acionamento dos equipamentos será analisado durante as investigações. A Corregedoria da Polícia Militar também acompanha o caso.
A morte do pastor provocou forte comoção entre moradores do Jardim São Francisco. Ainda na noite de segunda-feira, poucas horas após o ocorrido, moradores realizaram protestos na região. As manifestações continuaram na tarde de terça-feira (14), quando manifestantes bloquearam a Rua Miguel Ferreira de Melo e incendiaram objetos para interditar a via.
Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas para controlar as chamas, enquanto policiais militares acompanharam a manifestação e trabalharam para restabelecer o trânsito na região.
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O caso segue sob investigação do DHPP, que busca esclarecer as circunstâncias da abordagem, verificar a legalidade da atuação policial e apurar o motivo pelo qual não existem imagens do momento em que o pastor foi baleado. A análise do protocolo de uso das câmeras corporais também integra as investigações conduzidas pela Polícia Civil e pela Corregedoria da PM.