Em 2025, a Islândia registrou pela primeira vez a presença de mosquitos em seu território
O avanço de mosquitos e outros insetos em regiões do Ártico tem preocupado cientistas, que alertam para a falta de um sistema coordenado de monitoramento — situação que dificulta identificar novas espécies, prever riscos e proteger populações locais.
O alerta foi publicado em um editorial da revista científica Science, assinado pelas pesquisadoras Amanda Koltz e Lauren Culler.
Um dos exemplos mais recentes vem da Islândia, que registrou pela primeira vez a presença de mosquitos em 2025. Três exemplares da espécie Culiseta annulata foram encontrados próximos à capital Reykjavík — algo inédito até então.
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Segundo as especialistas, o problema não é isolado. Em toda a região do Ártico, insetos estão surgindo em locais e períodos onde antes não existiam, impactando diretamente o ecossistema. Animais como renas e caribus já sofrem com a mudança, gastando mais energia para se proteger dos insetos do que para se alimentar.
A ausência de dados organizados agrava ainda mais a situação. Atualmente, não existe um levantamento completo das espécies presentes na região, o que impede identificar mudanças ambientais de forma precisa.
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Mosquito Culiseta annulata, que é o tipo encontrado em
Kiðafell, Kjós (Foto: Wikimedia/Domínio Público)
Outro fator de preocupação é o aumento da circulação humana no Ártico. Com o derretimento do gelo, a região se tornou mais acessível, com maior presença de navios, turistas e operações militares. Isso facilita o transporte involuntário de espécies, seja por aeronaves ou pela água de lastro de embarcações.
As pesquisadoras também destacam a importância de incluir povos indígenas no monitoramento. Comunidades como Inuit, Sami e Yupik possuem conhecimento fundamental sobre o território e podem contribuir diretamente para a vigilância ambiental.
Apesar dos desafios, especialistas apontam que a ameaça compartilhada pode incentivar cooperação internacional, já que espécies invasoras e doenças não respeitam fronteiras.
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Para os cientistas, o surgimento de mosquitos em áreas antes livres desses insetos não é apenas uma curiosidade, mas um sinal claro de mudanças ambientais profundas — e um alerta de que o Ártico está mais vulnerável do que nunca.