Investigação apura estratégia para captar servidores públicos e suspeitas de fraudes em descontos na folha de pagamento; banco nega irregularidades.
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) apontou indícios de que o PicPay teria adotado uma estratégia de "marketing predatório" para atrair servidores públicos do Governo do Distrito Federal (GDF), em um esquema investigado por supostas fraudes envolvendo empréstimos consignados e descontos indevidos na folha de pagamento.
As informações constam em uma medida cautelar apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que fundamentou a Operação Juros Zero, deflagrada nesta sexta-feira (19). Por decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), foram bloqueados quase R$ 90 milhões em valores ligados à instituição financeira.
De acordo com o Ministério Público, a estratégia de divulgação incluía envio de mensagens por SMS, notificações no aplicativo, distribuição de materiais digitais e até instalação de estandes em diversos órgãos públicos do GDF. A atuação teria ocorrido com autorização formal da Secretaria de Economia do Distrito Federal.
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A investigação também aponta que o ex-secretário de Economia do DF, Ney Ferraz, teria desempenhado papel relevante na entrada do PicPay nas repartições públicas. Segundo o MPDFT, os elementos reunidos indicam uma atuação contínua do ex-gestor, que teria facilitado a realização das ações de divulgação da empresa enquanto ocupava cargos públicos.
Além da suposta campanha de marketing agressivo, os investigadores apuram possíveis irregularidades relacionadas à contratação de serviços financeiros e aos descontos aplicados na remuneração de servidores públicos.
EMPRESAS SE MANIFESTAM
Em nota, a Secretaria de Economia do Distrito Federal informou que está colaborando com as investigações e prestando apoio às diligências realizadas pelos órgãos de controle.
O PicPay afirmou que não reconhece qualquer irregularidade nas operações investigadas. A empresa negou a existência de cobranças indevidas, sustentou que todas as contratações eram realizadas diretamente pelos usuários por meio do aplicativo, sem intermediários, e informou que continuará colaborando com as autoridades.
Já o BRB esclareceu que não possui contrato com o PicPay relacionado aos fatos investigados. O banco afirmou que não interfere na contratação, nas condições financeiras ou no relacionamento entre os servidores e a instituição de pagamento, ressaltando ainda que a BRB Serviços não participa do processo de lançamento das consignações vinculadas ao PicPay.
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As investigações continuam para apurar a responsabilidade dos envolvidos e verificar se houve prejuízo aos servidores públicos do Distrito Federal.