Ação busca ampliar prevenção, diagnóstico e acompanhamento da doença após dez casos confirmados entre indígenas de janeiro a agosto de 2026
O Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça para cobrar medidas urgentes de prevenção, diagnóstico e controle da tuberculose entre indígenas Kayapó em nove municípios do Pará. A iniciativa ocorre após a confirmação de novos casos da doença em comunidades localizadas no sul e sudeste do estado.
Segundo dados do Ministério da Saúde, dez casos de tuberculose foram confirmados entre indígenas Kayapó entre janeiro e agosto de 2026. Uma morte também está sob investigação, mas ainda não há confirmação de que a doença tenha causado ou contribuído para o óbito.
A ação envolve os municípios de Cumaru do Norte, Redenção, Santana do Araguaia, Pau D'Arco, Bannach, Ourilândia do Norte, São Félix do Xingu, Tucumã e Altamira. As cidades ficam no entorno ou em áreas próximas à Terra Indígena Kayapó.
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Uma força-tarefa de prevenção e controle está prevista para ocorrer entre esta segunda-feira (14) e 18 de setembro nas aldeias atendidas pelo Polo Base de Tucumã. A iniciativa deverá concentrar esforços na identificação de pessoas com sintomas respiratórios, investigação de contatos de pacientes e ampliação do diagnóstico e do acompanhamento dos casos.
NÚMERO DE CASOS CAIU, MAS PREOCUPAÇÃO PERMANECE
Apesar do alerta, os registros de 2026 estão abaixo dos números dos anos anteriores. Os dez casos confirmados até agosto representam menos de um quarto dos 47 registrados em 2025. Naquele ano, houve uma redução de 34% em relação a 2024, quando foram contabilizados 80 casos entre indígenas Kayapó.
Um dos casos deste ano foi identificado em abril, no município de Santana do Araguaia. O paciente precisava retornar mensalmente a Belém para realizar o tratamento e o acompanhamento médico, mas, segundo documento do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Kayapó do Pará, vinha tendo dificuldades para realizar as viagens por falta de recursos para alimentação e outras despesas durante o deslocamento.
A ausência no acompanhamento levou o DSEI a solicitar uma reunião para discutir a situação e buscar alternativas para garantir a continuidade do tratamento.
Em julho, outro caso foi confirmado em Cumaru do Norte. O paciente é um jovem de 18 anos. No mês seguinte, a prefeitura informou ao DSEI que seis indígenas estavam sendo investigados por suspeita da doença. Dois deles tiveram a tuberculose posteriormente descartada.
Cumaru do Norte está a aproximadamente 200 quilômetros de Tucumã e os dois municípios fazem parte da região próxima à Terra Indígena Kayapó.
AÇÃO HAVIA SIDO SUSPENSA
A mobilização prevista para o Polo Base de Tucumã havia sido suspensa pelo Ministério da Saúde em 6 de agosto. De acordo com o órgão, a decisão ocorreu após um incêndio atingir o centro de abastecimento da empresa responsável pela distribuição de medicamentos, imunobiológicos e outros insumos estratégicos para o Pará.
O incidente afetou a disponibilidade de materiais necessários para a realização das atividades de prevenção, diagnóstico e acompanhamento dos casos de tuberculose.
Com a retomada da operação, as equipes deverão realizar busca ativa de pessoas com sintomas respiratórios, investigar indivíduos que tiveram contato com pacientes diagnosticados e ampliar as ações de diagnóstico e tratamento.
Durante ações realizadas em 2025, mais de 385 indígenas foram avaliados em atividades de busca ativa e investigação de contatos.
Em Ourilândia do Norte, o DSEI Kayapó também desenvolve uma operação ampliada para identificar possíveis casos e acompanhar pessoas que tiveram contato com pacientes. As atividades incluem avaliação clínica, aplicação da prova tuberculínica (PPD), investigação de infecção latente, exames complementares e radiografia de tórax quando houver indicação.
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A mobilização busca ampliar a identificação precoce da doença e evitar a transmissão nas comunidades indígenas, garantindo também o acompanhamento adequado dos pacientes diagnosticados.