Estudo aponta aumento nos casos ou complicações relacionadas ao calor
O que a crise climática tem a ver com gravidez? Os assuntos parecem não ter relação, mas, segundo uma pesquisa da Organização das Nações Unidas (ONU), as altas temperaturas estão ligadas a partos prematuros, natimortos e outras complicações maternas. O alerta foi feito pelo secretário executivo da ONU para Mudanças Climáticas, Simon Stiell.
O levantamento, realizado com profissionais de saúde na Austrália, Brasil, Índia, Reino Unido e Zimbábue, aponta que houve aumento nos casos ou complicações relacionadas ao calor nos últimos cinco anos, de acordo com 73%. Cerca 81% dos profissionais disseram estar preocupados com o fato de as altas temperaturas estarem colocando cada vez mais em risco a saúde de mães, fetos e recém-nascidos.
Além disso, o secretariado da ONU para Mudanças Climáticas alerta para a ansiedade gerada, à medida que os impactos climáticos apresentam novos riscos na vida diária.
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O médico Rodolfo de Carvalho Pacagnella, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, afirma que as mudanças climáticas contribuem para o sofrimento emocional.
“Existem estudos que mostram que há uma relação entre a falta de condições para se adaptar às mudanças climáticas e uma ansiedade em relação ao que pode vir a acontecer. Isso tem sido demonstrado mais frequentemente em populações com menos capacidade de adaptação às mudanças climáticas, mais vulneráveis.”
O calor também pode aumentar as condições de estresse social, reforça Rodolfo.
“Existem estudos mostrando que o calor pode aumentar a exposição a condições de estresse social, porque há uma competição por busca de melhores condições entre aquele grupo social, aumentando, inclusive, a violência naquela condição. Ondas de calor, noites mal dormidas, desconforto físico, insegurança, dificuldade de acesso a locais de melhor condição de temperatura, aumentando tanto a sensação de vulnerabilidade quanto podem também aumentar o risco a condições de doença mental.”
O médico ainda lembra que os eventos climáticos extremos impactam os serviços de saúde materna e perinatal.
“Situações como o que aconteceram no Rio Grande do Sul, com as enchentes, levaram a uma interrupção da prestação de serviços de saúde, que teve como consequência a modificação na forma como essas mulheres são assistidas no pré-natal, durante o trabalho de parto e, inclusive, nas condições de moradia e de autocuidado. Isso leva não só a uma insegurança, mas leva a uma assistência inadequada, leva a uma assistência médica insuficiente para aquela condição que ela está vivenciando.”
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Quase todos os entrevistados da pesquisa da ONU afirmaram ter tratado uma grávida ou um bebê cuja saúde consideravam afetada pelo calor.