O dado consta no Censo Escolar 2025, divulgado neste ano pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
Embora frequentemente conciliem responsabilidades domésticas, familiares e profissionais, as mulheres são maioria nas formações técnicas profissionalizantes no Brasil. O dado consta no Censo Escolar 2025, divulgado neste ano pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e revela um cenário que desafia a ideia de que a dupla jornada afasta o público feminino da qualificação profissional.
Entre os matriculados em cursos profissionalizantes no país, a maior parte tem menos de 20 anos, faixa que concentra 67,7% das inscrições. Nesse grupo, 51% são mulheres. A diferença mais expressiva entre os sexos aparece entre estudantes de 40 a 49 anos, quando elas representam 64,3% do total de matriculados.
Jéssica Thaís Sena Queiroz, 29 anos, não queria passar mais um ano sem estudar. "Escolhi o curso de eletrotécnica porque estava procurando uma oportunidade de me qualificar e entrar mais rapidamente no mercado de trabalho", conta. Hoje, ela faz a formação no Centro de Ensino Técnico (Centec), em Manaus, escola referência em cursos profissionalizantes.
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A decisão foi motivada pela demanda do setor industrial. "Como a indústria oferece muitas oportunidades profissionais, enxerguei o curso técnico como uma forma de adquirir conhecimento, desenvolver novas habilidades e aumentar minhas chances de conquistar uma boa colocação", explica.
Ainda no início da formação, ela já percebe o potencial da área e ressalta a importância do ensino profissionalizante, especialmente para as mulheres. "Uma profissão formal traz mais independência, segurança e perspectivas de crescimento. Quanto mais mulheres ocuparem esses espaços, mais estaremos incentivando outras a acreditarem no próprio potencial e seguirem o caminho que desejarem", diz.
A estudante do curso técnico em enfermagem Jennifer Thaynara Cardoso Correia, 26 anos, seguiu um caminho diferente. Ela chegou a cursar biomedicina, mas precisou interromper os estudos após descobrir a gravidez, situação vivenciada por muitas mulheres. Voltar a estudar, portanto, teve um significado que foi além da formação profissional.
O retorno aconteceu assim que as condições permitiram. "Depois que tive o bebê, organizei minha vida e voltei decidida a continuar os estudos na minha área", afirma. Para ela, o curso técnico representa uma oportunidade de alcançar estabilidade financeira em menos tempo, algo especialmente importante para mulheres que são mães.
A diretora-presidente do Centec, Eliana Cássia de Souza, afirma que a predominância feminina nos cursos profissionalizantes da escola é evidente. Segundo ela, um aspecto que chama atenção é que essas estudantes não estão apenas em áreas tradicionalmente associadas ao público feminino, como saúde, mas também em formações historicamente ocupadas por homens, como eletrotécnica, refrigeração e informática.
"Os dados do Censo refletem uma realidade que também observamos diariamente no Centec. As mulheres têm buscado qualificação como estratégia para conquistar autonomia financeira, crescer profissionalmente e transformar suas trajetórias, inclusive em áreas onde antes eram minoria", afirma.
Segundo Eliana, parte da resposta da escola a esse perfil de aluna está na flexibilização do formato das aulas.
"Sabemos que muitas dessas mulheres conciliam o curso com filhos, trabalho e outras responsabilidades. Por isso, ampliamos a oferta de cursos à distância, justamente para que a rotina mais intensa não seja um impeditivo para concluir a formação", explica. Algumas formações oferecidas nessa modalidade são administração, logística e qualidade.
A diretora também destaca a articulação entre o Centec e empresas parceiras como parte da estratégia para garantir que a formação técnica resulte em oportunidades concretas.
"Mantemos parcerias ativas com empresas da indústria e de outros setores, que buscam diretamente o Centec para selecionar estagiários e futuros colaboradores. Isso proporciona às nossas alunas um caminho mais curto entre a sala de aula e o mercado de trabalho", afirma.
Para Eliana, o aumento da presença feminina nos cursos técnicos é também um indicador do papel da formação profissional na vida dessas mulheres.
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"Cada aluna que conclui um curso técnico e ingressa no mercado de trabalho representa uma conquista de autonomia. É isso que buscamos garantir, oferecendo estrutura, flexibilidade e apoio para que elas possam transformar a própria realidade", conclui.