O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escolheu transmitir uma mensagem otimista aos americanos sobre 2026 em um pronunciamento na TV americana na noite de hoje elencando uma série de problemas que diz ter recebido do governo de seu antecessor, o democrata Joe Biden.
Em meio à crescente impaciência dos americanos em relação à economia, com inflação persistente e juros altos, Trump atribuiu à sua política de tarifas de importação o aumento da arrecadação e a recuperação da economia americana em seu governo.
Ele prometeu a redução de preços a partir de 2026 e afirmou que muitos já estão caindo. Como exemplo, afirmou que o tradicional peru das ceias americanas do Dia de Ações de Graças, em novembro, estavam 33% mais baratos neste ano em relação a 2024, quando Biden ainda estava na Casa Branca.
Veja também

Secretário-geral da ONU pede redução da tensão entre EUA e Venezuela
México pede à ONU para evitar derramamento de sangue na Venezuela
— E tudo mais está caindo rapidamente — afirmou, admitindo que ainda há o que fazer para reduzir a inflação no país, mas concentrando a responsabilidade em Biden. — Há 11 meses, herdei um caos, e estou consertando isso. Quando assumi o cargo, a inflação era a pior em 48 anos, e alguns diriam, na história do nosso país, o que fez com que os preços atingissem níveis mais altos do que nunca, tornando a vida inacessível para milhões e milhões de americanos.
Trump fez autoelogios à sua política de tarifas de importação sobre produtos de outros países que entram nos EUA e atribuiu a elas um salto na arrecadação de seu governo. Ele afirmou que, na noite da hoje, militares começarão a receber o pagamento de "cheques", uma espécie de bônus em dinheiro a título de "dividendos" baseados nessas tarifas.
Segundo ele, seu governo fará pagamentos de US$ 1.776 (quase R$ 9,6 mil) a 1,45 milhão de integrantes das Forças Armadas, enquanto buscava tranquilizar os americanos preocupados com sua condução da economia dos Estados Unidos.
— Os militares receberão um pagamento especial, que chamamos de Dividendo do Guerreiro, antes do Natal, em homenagem à fundação da nossa nação em 1776 — exultou, referindo-se ao ao ano em que os Estados Unidos declararam sua independência da Grã-Bretanha.
Ele indicou que seu discurso tinha como objetivo exaltar suas conquistas neste ano e acalmar os americanos cada vez mais preocupados com o custo de vida. O presidente disse que seu governo conseguiu atrair bilhões de investimentos para os EUA com sua política protecionista, gerando empregos para os americanos.
O republicano recorreu às suas críticas de sempre ao seu antecessor, como uma suposta política que permitiu uma "invasão de imigrantes a nossa fronteira do sul". E prometeu reduzir gastos sociais com imigrantes e as oportunidades para que eles "roubem empregos dos americanos". E deu o exemplo dos gastos do Minnesota com a comunidade de imigrantes da Somália há anos instalada naquele estado.
Ele afirmou que 100% dos empregos gerados em seu governo foram para cidadãos nascidos nos EUA e que 100% dessas vagas foram geradas no setor privado, sem participação ou gastos do governo.
—Pela primeira vez os salários estão crescendo mais rápido que a inflação — afirmou. Os pagamentos planejados aos militares estão amplamente alinhados aos esforços do governo de direcionar benefícios financeiros a determinados grupos.
Autoridades do governo Trump apresentaram o discurso do presidente como uma oportunidade para destacar as realizações do presidente em seu primeiro ano de retorno à Casa Branca e antecipar novas políticas para 2026.
No entanto, as declarações ocorrem em um momento crítico, com Trump enfrentando uma ansiedade pública crescente em relação à sua agenda econômica e seus assessores tendo dificuldades para ajustar a mensagem.
Os eleitores reconduziram Trump ao cargo, em parte, para lidar com a inflação persistente que afetou o ex-presidente Joe Biden. E Trump passou boa parte de seu discurso tentando atribuir a culpa ao antecessor, detalhando aumentos de preços durante a administração anterior.
Trump insistiu que sua administração precisa de mais tempo para resolver o que ele afirma ter sido um caos deixado pelo democrata. Após o aumento de gastos públicos durante a pandemia, o governo de Biden enfrentou uma alta inédita na inflação do país, o que levou o Fed, banco central americano, a manter juros altos por um longo período. Essa conjuntura prejudicou a campanha da democrata Kamala Harris, derrotada por Trump no ano passado.
O republicano, que tem sido crítico da demora do Fed em reduzir mais os juros, lembrou no discurso que está nas etapas finais da busca por um novo presidente para o banco central. Ele tem a prerrogativa de indicar o sucessor de Jerome Powell, que deixa o cargo em 2026, e prometeu incrementar a política de financiamento de imóveis.
— Em breve anunciarei o próximo presidente do Federal Reserve, alguém que acredita em taxas de juros muito mais baixas, e os pagamentos das hipotecas cairão ainda mais. No início do novo ano, e vocês verão isso já no novo ano, anunciarei alguns dos planos de reforma habitacional mais agressivos da história americana.
Aos 79 anos e em seu segundo mandato, o republicano vem chacoalhando a política dos Estados Unidos com seu estilo agressivo, medidas anti-imigração implacáveis e uma política econômica que ecoa a mensagem de sua primeira presidência, entre 2017 e 2020: cortes de impostos e desregulamentação de mercados.
A política comercial, no entanto, é marcadamente diferente, com uma série de tarifas erráticas sobre produtos importados de todo o mundo, que tiveram impacto sobre a inflação e abalaram o comércio global. O governo Trump não conseguiu controlar totalmente o aumento dos preços, atualmente em torno de 2,75% em relação ao ano anterior, embora ele insista em ressaltar que, durante a presidência anterior do democrata Joe Biden, a inflação chegou a quase 9%.
A recuperação econômica está "dando a volta por cima" após um ano de "incerteza", declarou John Williams, membro do Federal Reserve (Fed, banco central), esta semana, corroborando com a ideia de que a inflação está desacelerando nos EUA. Mas o nervosismo cresce entre os republicanos sobre o efeito dos preços nas eleições de meio de mandato para o Parlamento, em novembro de 2026.
O bilionário Trump vangloria-se de uma nova "Era de Ouro" nos Estados Unidos, enquanto os democratas ainda tentam buscar um rumo após a derrota de Kamala Harris para ele, no ano passado. As pesquisas mostram que a polarização ainda molda a vida política do país: a grande maioria dos eleitores republicanos votaria novamente no magnata.
Os americanos estão, em geral, satisfeitos com a política externa, mas há fissuras dentro do próprio campo republicano. O vice-presidente J.D. Vance — que está se tornando rapidamente o porta-voz de Trump sobre o assunto, enquanto considera sua própria candidatura à presidência em 2028 — pediu paciência aos eleitores em um discurso na terça-feira.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
— Roma não foi construída em um dia — disse Vance na Pensilvânia, um estado crucial da classe trabalhadora que não tem uma tendência política definida.
Fonte: O Globo