Gigante de alimentos usa inteligência artificial e pesquisas clínicas para desenvolver produtos ricos em proteínas e outros nutrientes voltados a usuários de medicamentos para perda de peso, mercado que já reúne milhões de consumidores
A Nestlé está transformando a popularização de medicamentos para emagrecimento, como Ozempic, Wegovy, Mounjaro e Zepbound, em uma nova oportunidade de negócio. A gigante de alimentos utiliza inteligência artificial e pesquisas científicas para desenvolver produtos voltados às necessidades de quem utiliza os chamados medicamentos GLP-1.
O avanço desses remédios preocupa parte do mercado de alimentos porque, ao reduzir o apetite, eles podem diminuir o consumo de produtos industrializados, lanches e bebidas. A Nestlé, porém, aposta que a perda rápida de peso também cria uma demanda por alimentos com maior concentração de nutrientes.
A empresa trabalha no desenvolvimento de produtos ricos em proteínas, vitaminas e outros nutrientes, com foco em questões como manutenção da massa muscular, hidratação e saúde da pele. Segundo o diretor de tecnologia da Nestlé, Stefan Palzer, a companhia utiliza inteligência artificial para analisar pesquisas clínicas e identificar combinações de nutrientes que possam atender esse público.
Veja também

Alta do petróleo com guerra no Irã engorda cofres do governo
Prévia do PIB do Banco Central cresce 0,2% no segundo trimestre de 2026
A estratégia já resultou em novos produtos. Nos Estados Unidos, a empresa lançou o Boost Advanced Nutrition Shake, com 35 gramas de proteína, enquanto na Ásia e na Austrália apresentou uma versão mais proteica do Milo. A Nestlé também adicionou proteína de colágeno a produtos da marca Vital Proteins, mirando consumidores preocupados com pele, cabelos e unhas durante o processo de emagrecimento.
A inteligência artificial também é utilizada para analisar um banco de aproximadamente 120 mil receitas, prever o desempenho de novos produtos e simular a reação dos consumidores antes do lançamento. A empresa ainda monitora redes sociais para identificar tendências de comportamento e consumo.
Apesar da aposta da Nestlé, especialistas questionam se produtos específicos para usuários de medicamentos para emagrecer realmente oferecem vantagens em relação a alimentos convencionais. A nutricionista Amanda Avery, da Universidade de Nottingham, afirmou que carnes, peixes, ovos, laticínios, feijões, nozes e outras leguminosas continuam sendo fontes de proteínas e nutrientes e podem ser alternativas mais acessíveis.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
Mesmo com as críticas, o mercado é considerado promissor. Segundo o Boston Consulting Group, cerca de 16 milhões de americanos já utilizam medicamentos da classe GLP-1, número que deve crescer nos próximos anos. Para a Nestlé, a expansão desse público representa uma oportunidade para criar uma nova categoria de alimentos voltada a quem está passando por um processo acelerado de perda de peso.