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O Desfile dos Adestrados: Quando o Asfalto Vira Palco de Gravação
Foto: Reprodução / PORTAL DO ZACARIAS

*Por Plínio César A. Coêlho - O Brasil assistiu, em mais uma dessas "marchas pela liberdade", ao ápice da política-espetáculo. Ver o deputado Nikolas Ferreira liderando uma multidão é como assistir a um filme de baixo orçamento onde o protagonista não tem falas inteligentes, mas o diretor compensa com muito barulho e efeitos especiais.

 

O TRIUNFO DO VAZIO

 

É impressionante como o deputado mineiro conseguiu a proeza de ser um dos mais votados do país sem, no entanto, ter entregado uma única solução real para os problemas de Minas Gerais. O que ele entregou na marcha? O de sempre: fake news gourmetizadas e o carisma de um animador de festa infantil para adultos que se recusam a ler um livro.

 

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A "imbecilização" que vemos nas ruas não é por acaso; é um projeto. Para que alguém siga um sujeito que vive de criar pânicos morais imaginários — enquanto ignora o preço da cesta básica e o sucateamento da infraestrutura — é preciso que o senso crítico tenha sido jogado no lixo há muito tempo.

 

A MARCHA PARA LUGAR NENHUM

 

Enquanto a "manada digital" caminhava sob o sol, o roteiro era seguido à risca:

O "Mártir" de Condomínio: Nikolas posa de perseguido enquanto usa a máquina pública para se autopromover.

O Gado do Algoritmo: Pessoas que acreditam estar salvando a nação, quando na verdade estão apenas garantindo que o vídeo do deputado tenha um bom alcance orgânico.

 

O que esse rapaz trouxe de bom para o povo? Absolutamente nada. Nem um hospital, nem uma escola, nem um projeto de lei que não seja focado em proibir algo que já não acontece ou perseguir minorias. Ele é o Rei do Nada, o monarca de um reino feito de pixels e indignação coreografada.

 

O DESPERTAR QUE NÃO VEM

 

A maior tragédia não é o deputado em si — bufões sempre existiram na política. A tragédia é o povo que, em vez de exigir contas, exige fotos. É a massa que prefere o entretenimento do "lacre" à seriedade do trabalho parlamentar.

 

No fim das contas, a marcha não foi pelo Brasil, nem por Minas. Foi pelo engajamento. O povo mais uma vez serviu de figurante gratuito para que o deputado possa continuar sua carreira de influencer em Brasília, pago com o nosso dinheiro, enquanto a realidade — aquela que não cabe num vídeo de 15 segundos — continua batendo à porta de quem marchou.

 

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* Plinio Cesar Albuquerque Coêlho é professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). É mestre em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutorando na Universidade de Ciências Empresariais e Sociais (UCES), em Buenos Aires.

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