Levantamento feito pelo Inpe a pedido do g1 analisou os 1.639 focos registrados no estado entre 1º e 15 de outubro e mostra maior parte em áreas privadas. Alta de incêndios começa em 4 de outubro, dia do primeiro turno das eleições, aponta Ipam
Cerca de oito em cada dez focos de fogo registrados no Amazonas durante a primeira quinzena de outubro estavam em imóveis rurais privados com Cadastro Ambiental Rural (CAR). A informação consta em um levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que identificou 1.639 focos no estado entre os dias 1º e 15 de outubro. Desse total, 79,1% foram registrados dentro de propriedades privadas cadastradas.
O aumento das queimadas ocorre em meio a uma grave crise ambiental que afeta municípios do Amazonas, incluindo Manaus, onde a fumaça tem prejudicado a qualidade do ar. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), os focos de fogo no entorno da capital estão 109% acima da média histórica para o período.
Os dados também apontam uma mudança no ritmo das ocorrências ao longo do mês. Após registros em setembro, os focos voltaram a crescer de forma expressiva a partir de 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições. A coincidência temporal chamou a atenção de pesquisadores e autoridades, mas, isoladamente, não comprova uma relação direta entre o aumento das queimadas e o resultado eleitoral.
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Órgãos ambientais afirmam que a ação humana está na origem de grande parte dos incêndios. O uso do fogo para limpar pastagens ou preparar terrenos depende de autorização específica, e o governo estadual proibiu queimadas no Amazonas desde 9 de setembro. Mesmo com a restrição, os focos continuaram a surgir, inclusive em áreas próximas a regiões protegidas.
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Foto: Divulgação/Ibama
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) intensificou as fiscalizações e aplicou multas por uso irregular do fogo. A Polícia Civil do Amazonas também investiga possíveis crimes relacionados às queimadas, com mais de 120 procedimentos em andamento. As autoridades alertam que a combinação entre práticas ilegais, vegetação ressecada e falta de chuvas favorece a propagação das chamas.
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A situação é agravada pela seca associada ao fenômeno El Niño, que deixa a vegetação mais vulnerável e facilita a expansão dos incêndios. Além dos danos à floresta e à biodiversidade, a fumaça representa riscos à saúde da população, especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. O combate às queimadas depende tanto da atuação dos órgãos de fiscalização quanto da prevenção de novos focos e da responsabilização de quem utiliza o fogo de forma ilegal.