Com queda prevista na arrecadação, déficit orçamentário e empréstimos milionários, governo de Omar Aziz terá o desafio de reorganizar as contas estaduais; atuação dos deputados na fiscalização das gestões anteriores também entra em debate.
O governador eleito do Amazonas, Omar Aziz (PSD), deverá assumir o comando do Estado, em janeiro de 2027, diante de um cenário fiscal desafiador. As contas estaduais apresentam aproximadamente R$ 10,8 bilhões em compromissos financeiros, previsão de queda na arrecadação e um déficit orçamentário que exigirá medidas para equilibrar receitas e despesas. A situação reacende questionamentos sobre a condução das finanças públicas durante as administrações de Wilson Lima e Roberto Cidade, além da atuação dos parlamentares responsáveis pela fiscalização do Poder Executivo.
De acordo com o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, a receita do Amazonas deverá apresentar uma redução de 8,44%, passando de R$ 39,59 bilhões, em 2026, para R$ 36,25 bilhões no próximo ano. Em contrapartida, as despesas estão estimadas em R$ 37,04 bilhões, o que representa uma diferença negativa de aproximadamente R$ 794 milhões entre o dinheiro previsto para entrar nos cofres públicos e os gastos programados.
Diante desse quadro, a atuação da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) também passa a ser questionada. Durante os governos de Wilson Lima e Roberto Cidade, os deputados estaduais tiveram a atribuição constitucional de acompanhar a execução orçamentária, analisar projetos financeiros e fiscalizar a aplicação dos recursos públicos.
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A dimensão dos compromissos financeiros que serão herdados pela próxima administração levanta uma questão importante: quais medidas foram adotadas pelos parlamentares para acompanhar o crescimento das obrigações do Estado? Também é necessário esclarecer se houve alertas sobre a situação fiscal, questionamentos aos gastos e iniciativas concretas para evitar o agravamento das contas públicas.
O debate envolve os integrantes das legislaturas que participaram da aprovação das Leis Orçamentárias Anuais (LOAs) e de outras medidas relacionadas às finanças estaduais. Embora a aprovação de orçamentos não represente, isoladamente, responsabilidade pelo endividamento, a função fiscalizadora exige transparência e prestação de contas sobre as decisões tomadas ao longo dos últimos anos.
Entre os nomes envolvidos nesse cenário está Alessandra Campêlo, que foi eleita vice-governadora na chapa de Omar Aziz. Com passagem pela Assembleia Legislativa, ela também integra o contexto político de discussão sobre a fiscalização das contas estaduais e agora participará diretamente da administração que terá de enfrentar os desafios financeiros do Amazonas.
PREVIDÊNCIA E PRECATÓRIOS AUMENTAM PRESSÃO SOBRE O ORÇAMENTO
Além da dívida pública, outros compromissos ampliam as dificuldades financeiras do Estado. A previsão para 2027 aponta um resultado previdenciário negativo de R$ 2,28 bilhões, enquanto os pagamentos de precatórios e requisições de pequeno valor (RPVs) devem alcançar R$ 826 milhões.
Essas obrigações representam uma parcela significativa dos recursos estaduais e podem limitar a capacidade de investimento em setores essenciais, como saúde, educação, segurança pública e infraestrutura.
Outro compromisso que deverá pesar sobre a próxima administração é o empréstimo de R$ 1,462 bilhão contratado em outubro de 2026, durante a gestão de Roberto Cidade, junto ao Banco do Brasil. O financiamento prevê prazo de dez anos para pagamento, com início da amortização em novembro de 2027, transferindo parte dos encargos financeiros para o período em que Omar Aziz estará à frente do governo.
PRÓXIMA GESTÃO TERÁ DESAFIO DE REORGANIZAR AS CONTAS
Omar Aziz encontrará um Estado com obrigações bilionárias, redução prevista de receitas e despesas superiores à arrecadação estimada. O desafio será reorganizar as finanças, controlar os gastos e garantir recursos para manter os serviços públicos e viabilizar novos investimentos.
Entretanto, a discussão sobre a situação econômica do Amazonas não deve se limitar aos governadores que passaram pelo Executivo. A Assembleia Legislativa também precisa esclarecer como exerceu seu papel de fiscalização durante os últimos anos.
Diante dos números apresentados, a sociedade amazonense tem o direito de saber quais medidas foram tomadas pelos deputados para acompanhar o endividamento estadual, quais questionamentos foram feitos às administrações anteriores e se os mecanismos de controle foram suficientes para proteger as contas públicas.
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Mais do que apontar os desafios que aguardam o próximo governador, o cenário exige transparência, responsabilidade política e explicações sobre como o Amazonas chegou a uma situação financeira que poderá comprometer os próximos anos de gestão.