Relatório do UNAIDS afirma que o mundo vive o momento mais promissor da prevenção contra o HIV
A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que a redução do financiamento internacional pode provocar um novo avanço da epidemia de HIV no mundo, mesmo com os maiores avanços científicos já registrados na prevenção da doença.
O aviso foi divulgado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), durante a 26ª Conferência Internacional de AIDS, realizada no Rio de Janeiro. O relatório destaca que, embora as novas infecções e as mortes relacionadas à AIDS estejam nos menores níveis dos últimos 30 anos, a falta de investimentos ameaça esse progresso.
Em 2025, foram registrados 1,2 milhão de novos casos de HIV e 570 mil mortes relacionadas à AIDS em todo o mundo.
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O documento destaca o surgimento de novos medicamentos preventivos, como injeções de aplicação mensal e semestral, que oferecem níveis de proteção comparáveis aos de uma vacina. No entanto, o UNAIDS afirma que o principal desafio agora é garantir que essas tecnologias cheguem à população.
Segundo a diretora-executiva do UNAIDS, Winnie Byanyima, "inovação sem acesso não é inovação, é injustiça".
O relatório também aponta que 22% das cerca de 41 milhões de pessoas vivendo com HIV ainda não recebem tratamento, enquanto quase metade das crianças com o vírus permanece sem acesso à terapia antirretroviral.
No Brasil, o UNAIDS destacou o aumento de 41% no número de pessoas que utilizaram medicamentos de prevenção ao HIV no último ano. Porém, o país ficou fora do acordo de licenciamento da farmacêutica Gilead para produzir ou adquirir versões genéricas do lenacapavir, medicamento injetável considerado um dos principais avanços recentes no combate ao vírus.
Outro ponto de preocupação é a queda no financiamento global. Os recursos internacionais destinados ao combate ao HIV caíram de US$ 8,8 bilhões em 2024 para US$ 7,3 bilhões em 2025, o menor nível em quase 20 anos.
A redução dos investimentos já afeta programas de prevenção em diversos países, com cortes em serviços comunitários, distribuição de preservativos e atendimento a populações vulneráveis.
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Apesar do cenário, o UNAIDS afirma que ainda é possível alcançar a meta de acabar com a AIDS como ameaça à saúde pública até 2030, desde que os países mantenham os investimentos, ampliem o acesso aos tratamentos e fortaleçam as políticas de prevenção.