Investigação aponta rede financeira ligada à facção criminosa e cumpre dezenas de mandados contra suspeitos em São Paulo.
A força-tarefa da Operação Janus, realizada nesta terça-feira (21), colocou na mira empresários, advogados, doleiros e integrantes apontados como membros do Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação é conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), em conjunto com a Polícia Civil, para desarticular um esquema milionário de lavagem de dinheiro e movimentação financeira em benefício da organização criminosa.
Ao todo, a Justiça autorizou o cumprimento de 18 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão. As investigações indicam que os suspeitos utilizavam empresas, contas de terceiros e operações financeiras para ocultar e distribuir recursos atribuídos ao PCC.
Entre os principais alvos está o empresário Cléber Azevedo dos Santos, apontado como um dos operadores financeiros da facção. Segundo o Ministério Público, ele mantinha contato frequente com integrantes do alto escalão da Polícia Militar e aparece em conversas interceptadas tratando de influência sobre agentes públicos.
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Outro investigado é o empresário Robson Martins de Souza, que, conforme a apuração, também integrava o núcleo financeiro do esquema e possuía proximidade com membros da cúpula da PM.
A operação também resultou na prisão do advogado Antonio Carlos Ubaldo Júnior, suspeito de atuar como intermediador no pagamento de propinas a policiais civis para impedir investigações envolvendo integrantes da organização criminosa. Ele já exerceu a função de assessor parlamentar na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Entre os investigados estão ainda nomes conhecidos das autoridades, como Leonardo Monteiro Moja, o "Léo do Moinho", apontado como liderança do PCC e já preso desde 2024, e Alexandre Salles Brito, conhecido como "Buiu", também detido anteriormente por suspeita de integrar a cúpula da facção e atuar em esquemas de lavagem de dinheiro.
O doleiro Leonardo Meirelles, investigado na Operação Lava Jato, também teve a prisão decretada, mas segue foragido.
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De acordo com o Ministério Público, o grupo é suspeito de movimentar grandes quantias em dinheiro por meio da entrega de valores em espécie, transferências bancárias, empresas de fachada e contas de terceiros, garantindo recursos para integrantes e colaboradores do PCC. As investigações continuam para identificar toda a estrutura financeira utilizada pela organização criminosa.