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OPINIÃO: O voto lógico, não útil
Foto: Reprodução

* Por Ricardo Viveiros - Segundo cientistas sociais, ainda há muitos indecisos diante da eleição que se aproxima. São desiludidos, desesperançados, que não definiram seu voto. Diante desse quadro, cabe um apelo ao bom senso, à lógica e à responsabilidade.

 

Não se trata de pedir que alguém goste de Lula, muito menos de exigir entusiasmo, adesão irrestrita ou silêncio diante de seus possíveis erros. É legítimo criticá-lo, discordar de suas escolhas e considerar insuficientes suas políticas. A democracia existe para garantir essa liberdade.

 

Vale lembrar o que aconteceu quando o poder esteve nas mãos daqueles que transformaram a mentira em método, o ódio em linguagem e a ignorância em programa político. Foram anos de ataques às instituições, às urnas eletrônicas, aos tribunais, à imprensa, às universidades, aos professores e à ciência. A própria ideia de verdade passou a ser tratada como inimiga.

 

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A política foi reduzida ao fanatismo. A bandeira nacional, as cores verde e amarelo e o orgulho de ser brasileiro, símbolos de todos nós, foram apropriados como instrumentos de divisão. O suposto patriotismo tornou-se, em discursos e manifestações, justificativa para a intolerância e o desprezo pelo adversário, muitas vezes tratado como inimigo.

 

Mulheres foram humilhadas. Negros insultados. Pessoas LGBTQIAPN+ atacadas. Povos indígenas apresentados como entraves ao desenvolvimento. Migrantes e refugiados desrespeitados. A floresta foi vista muitas vezes como território a ser explorado, e não como patrimônio a ser protegido. A pobreza e a corrupção também permaneceram no centro de graves controvérsias.

 

Quando o país enfrentou uma das maiores tragédias sanitárias de sua história, faltaram, segundo seus críticos, grandeza, responsabilidade e empatia. Diante da dor de milhares de famílias, houve negacionismo e conflitos em torno da ciência. Quando era necessário oferecer serenidade, muitas vezes prevaleceu o confronto.

 

Nada disso significa que Lula esteja acima de críticas. Não está. Nenhum presidente, partido ou político deve estar. Democracia não pode ser confundida com idolatria. Defender instituições democráticas significa também fiscalizar, cobrar e denunciar os erros de quem governa.

 

Um país democrático pode sobreviver a governos ruins. Pode corrigir políticas equivocadas. Pode trocar presidentes, parlamentares e partidos pelo voto, jamais pelo golpe. Pode reconstruir instituições depois de erros, mas não pode aceitar a normalização da violência política, da mentira deliberada, do desprezo pelas instituições e da ideia de que qualquer coisa é permitida para conquistar ou conservar o poder.

 

Instituições, liberdades, ciência, imprensa, pluralismo, respeito às diferenças, direito ao contraditório, respeito ao resultado das eleições e igualdade perante a lei não pertencem à esquerda ou à direita. Pertencem à democracia e são patrimônio de todos nós.

 

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O voto é uma decisão individual e democrática. Que seja exercido com razão, lucidez, informação e consciência dos valores que estão em jogo. Eu votarei em Lula. Bolsonaro nunca mais! 

 

*Ricardo Viveiros, jornalista, professor e escritor, é doutor em Educação, Arte e História da Cultura (UPM), membro da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e dos Direitos Humanos da Associação Brasileira de Imprensa (ABI); autor, entre outros livros, de A vila que descobriu o Brasil, Memórias de um tempo obscuro e O sol brilhou à noite.

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