Uma descoberta arqueológica em pleno centro de Salvador está trazendo à tona uma parte esquecida da história brasileira. Ossadas humanas foram encontradas no subsolo do antigo Cemitério do Campo da Pólvora, onde hoje funciona o estacionamento da Santa Ca
As escavações tiveram início no dia 15 de maio deste ano (2025), após uma pesquisa de doutorado da Universidade Federal da Bahia (UFBA) identificar a área como um antigo cemitério.
A investigação é conduzida pelo projeto Levantamento Arqueológico na Área do Antigo Cemitério do Campo da Pólvora, financiado pela empresa Arqueólogos Pesquisa e Consultoria Arqueológica, com acompanhamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
De acordo com os pesquisadores, trata-se possivelmente do maior cemitério de escravizados da América Latina. O trabalho de campo é liderado pela arqueóloga Jeanne Dias, que destacou os desafios enfrentados durante as escavações.
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“Foi um processo complexo, com duas etapas marcantes. Primeiro, tivemos que lidar com chuvas intensas e duraram quase uma semana. Depois, enfrentamos um aterro muito mais profundo do que o esperado, cerca de 2,90 metros, até alcançarmos a camada natural de solo, onde estavam os vestígios ósseos”, explicou.
Além do resgate arqueológico, o projeto tem como foco a valorização da memória de comunidades negras que foram enterradas sem identificação.
Jeanne reforça que a iniciativa pode resultar na criação de um banco de dados genéticos e contribuir para a discussão sobre igualdade racial no Brasil.
“É também uma oportunidade de revisitar a presença desses grupos em Salvador e reconstruir uma narrativa histórica que por muito tempo os invisibilizou”, afirmou.
As escavações começaram com um ato inter-religioso simbólico, realizado no mesmo dia em que se completaram 190 anos da Revolta dos Malês, maior levante de pessoas escravizadas na história da Bahia.
Pesquisadores acreditam que os restos mortais de participantes dessa revolta, bem como da Revolta dos Búzios (1798) e da Revolução Pernambucana (1817), podem estar entre os vestígios encontrados.

Foto: Reprodução
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A expectativa é que o material recolhido ajude a aprofundar o entendimento sobre a presença negra na formação histórica de Salvador e inspire ações de memória e reparação na região.
Fonte: Diário Online