Na contramão, outra sobrevivente, Jordan Vilchez, diz considerar a iniciativa um abuso
Oitenta seguidores do pastor Jim Jones sobreviveram ao massacre em 1978 de 918 pessoas em Jonestown, a cidadela erguida na selva da Guiana para abrigar o seu culto apocalíptico. Cada um deles lida de forma distinta com o trágico episódio.
A tragédia deixou marcas profundas nos EUA e é considerada uma das mais sombrias da era moderna: os fiéis Templo do Povo do tomaram ou foram forçados a beber ponche de frutas com cianeto.
Alguns dos sobreviventes estavam fora de Jonestown quando as bebidas envenenadas foram servidas, incluindo o filho de Jones, Stephan Gandhi Jones, que participava de um torneio de basquete. Outros escaparam sem serem vistos, correndo para a selva ou se escondendo nos armários do acampamento.
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Thomas Bogue foi um dos que tentaram escapar com um congressista americano e jornalistas que foram visitar Jonestwon após denúncias de parentes de fiéis e fugitivos da seita. O pai de Thomas já estava elaborando um plano de fuga, mas quando o deputado Leo Ryan ofereceu a oportunidade de ir com ele, a família disse que se juntaria a eles.
"Foi uma oportunidade de altíssimo risco", disse Thomas, agora com 63 anos, sobre sua família seguir com Ryan e outros para uma pista de pouso onde um avião os aguardava para levá-los de volta. "Mas talvez tenha sido a melhor oportunidade", acrescentou.
Quando o grupo se reuniu para a decolagem, membros do culto abriram fogo contra eles. Ryan foi morto a tiros, assim como três jornalistas e um membro do templo que tentavam escapar.
Thomas, então com 17 anos, estava dentro do avião quando os pneus foram atingidos por tiros. Ele se levantou do assento no momento em que um membro foi baleado na cabeça e levou um tiro numa perna. Quando o tiroteio pareceu ter diminuído, ele e a irmã fugiram para a selva.
De volta ao acampamento, sabendo que seria implicado na morte de um senador americano, Jones deu a ordem aos seus fiéis de que era hora do "Suicídio Revolucionário". Seringas de cianeto foram esguichadas em suco e sanduíches e consumidas pela congregação – as crianças primeiro.
Numa cena desoladora, muitas das vítimas foram encontradas mortas abraçadas.
Jones não tomou o ponche e atirou na própria cabeça.
Apesar do ferimento, Thomas sobreviveu na selva por três dias.
"Fui salvo por larvas: elas comeram a gangrena. E então, na terceira manhã, comecei a delirar. Perdi todo o senso de direção. Mas eu estava com minha irmã e outras três pessoas de outra família", relembrou o americano.
O grupo foi achado por soldados da Guiana, e Thomas e a irmã se reencontraram com o pai. Eles voltaram para os EUA logo depois. Quase 47 anos depois, Thomas trabalha como mecânico de automóveis e é vice-prefeito de Dixon (Califórnia). Ao tomar conhecimento de que Jonestown será reaberta para virar atração turística, Thomas surpreendeu ao demonstrar apoio:
"Acho ótimo transformar isso em uma atração turística e um memorial. Já estive lá três vezes e a selva está começando a tomar conta da área. Eu adoraria ser consultor em algo assim."
Na contramão está outra sobrevivente, Jordan Vilchez, agora com 67 anos. Ela se filiou à Igreja do Povo aos 12 anos e permaneceu lá até o fim, teve a sorte de estar na capital da Guiana, Georgetown, quando os suicídios em massa ocorreram.
"Criei uma ocupação para mim, falando sobre Jonestown para a comunidade guianense. Essa tarefa era aceitável para a liderança e me permitiu não passar tanto tempo em Jonestown", disse ela ao "NY Post".
Ao ouvir numa rádio que os suicídios de Jonestown estavam acontecendo, ela ficou horrorizada, mas não totalmente surpresa.
"Houve discussões sobre um suicídio em massa", comentou ela, que perdeu duas irmãs e dois sobrinhos na tragédia.
Jordan recordou que nos círculos de Jonestwon se falava em "Suicídio Revolucionário":
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"Havia uma narrativa recorrente de que estávamos sendo perseguidos. Sem que soubéssemos, o mundo estava se fechando sobre Jim. Por causa de seu narcisismo patológico, ele não iria se render sozinho. As pessoas estavam presas e emocionalmente esgotadas – eu me deixei levar por isso e não iria escapar. Com o passar dos anos, ficamos mais presos. Disseram-nos que os Estados Unidos se tornariam um estado policial e que nossa segurança estava em fazer parte desse grupo."
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Fotos: Reprodução
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Ao tomar conhecimento de que Jonestwon será reaberto para turismo, Jordan se mostrou indignada:
"É algo com que as pessoas vão lucrar. Parece um abuso."
Fonte: Extra