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Papa Leão XIV visita centro de apoio a migrantes em Paris antes de missa para 600 mil fiéis
Foto: Divulgação

Pontífice ouviu relatos de exilados do Afeganistão e da Nigéria e reforçou a defesa da dignidade de migrantes durante sua primeira viagem à França

O Papa Leão XIV se reuniu neste sábado (26) com migrantes e representantes de uma associação católica de apoio a estrangeiros em Paris, horas antes de celebrar uma missa que deve reunir cerca de 600 mil pessoas na região da Champs-Élysées. Durante o encontro, o pontífice defendeu a convivência baseada na dignidade e na paz.

 

A visita à Casa Bakhita, instituição criada em 2017 para acolher e apoiar migrantes, ocorreu em meio ao debate sobre imigração na Europa e ao avanço de partidos de extrema-direita que defendem políticas mais restritivas para estrangeiros.

 

Durante a passagem pelo local, Leão XIV ouviu os relatos de pessoas exiladas do Afeganistão e da Nigéria. O papa destacou que a própria história familiar é marcada pela imigração e afirmou que a instituição representa um exemplo de convivência.

 

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“Fico feliz em começar com vocês este segundo dia em Paris, nesta casa que é um testemunho para toda a cidade de que é possível nos encontrarmos e convivermos com dignidade e paz”, afirmou.

 

O nome da Casa Bakhita é uma homenagem a Josefina Bakhita, mulher sudanesa que foi escravizada, tornou-se religiosa e posteriormente foi canonizada pela Igreja Católica. A criação do centro ocorreu após um apelo do então Papa Francisco para que os países acolhessem, protegessem e integrassem os estrangeiros.

 

Leão XIV também citou a trajetória de Santa Bakhita ao defender atenção às pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade.

 

“Santa Bakhita nos convida a ver aqueles que são invisibilizados, a libertar aqueles que a economia e a cultura reduzem hoje à escravidão, a honrar a dignidade infinita de cada irmão e irmã”, disse.

 

Para os responsáveis pela instituição, a presença do pontífice representa uma mensagem em um momento no qual a imigração deve ocupar espaço importante no debate político francês. A eleição presidencial do país está prevista para o próximo ano.

 

Após a visita, Marcela Villalobos, coordenadora das Capelanias Católicas para Migrantes da Conferência Episcopal Francesa, afirmou que existe apoio ao acolhimento de estrangeiros e à construção de uma sociedade baseada na solidariedade.

 

Desde que foi eleito, em maio de 2025, Leão XIV tem defendido publicamente a dignidade de migrantes, exilados e refugiados. O pontífice também já fez críticas a políticas migratórias adotadas pelo governo dos Estados Unidos, comandado pelo presidente Donald Trump.

 

A visita do papa a Paris é a primeira de um pontífice à capital francesa desde 2008, quando Bento XVI esteve no país. A passagem de Leão XIV tem mobilizado milhares de pessoas.

 

Na sexta-feira (25), cerca de 300 mil pessoas acompanharam o trajeto do papa pelas ruas de Paris durante o deslocamento em papamóvel. Mais tarde, aproximadamente 80 mil jovens participaram de uma vigília no Stade de France.

 

Neste sábado, a expectativa é de que aproximadamente 600 mil fiéis acompanhem a missa celebrada pelo pontífice na região da Praça da Concórdia e da Champs-Élysées, a partir das 13h no horário local.

 

Entre os convidados para a celebração estão candidatos que devem disputar a eleição presidencial francesa, incluindo Marine Le Pen. O atual presidente francês, Emmanuel Macron, não participará da missa.

 

Além do encontro com migrantes e da celebração, Leão XIV também tem uma agenda voltada para o cenário religioso francês. O pontífice demonstrou interesse pelo aumento dos batismos entre jovens registrado nos últimos anos, apesar da queda geral da prática religiosa no país.

 

Ainda neste sábado, ele participa de um encontro com pessoas recém-batizadas e futuros batizados no Instituto Católico de Paris.

 

Depois da missa, o papa seguirá para Lourdes, no sul da França, onde dará continuidade à viagem. O santuário recebe cerca de três milhões de visitantes por ano.

 

No domingo, Leão XIV terá um encontro privado com vítimas de abusos sexuais cometidos por membros da Igreja Católica. A viagem será encerrada em Metz, na segunda-feira, com um discurso dedicado à paz e à União Europeia.

 

Desde sua chegada à França, o pontífice também abordou temas que geram forte debate no país, como a laicidade, a inteligência artificial e a eutanásia.

 

Em um discurso diante de autoridades francesas, Leão XIV afirmou que a laicidade não significa excluir a religião do espaço público. Também criticou práticas como manipulações genéticas, gestação de substituição, compra de órgãos e a chamada “oferta de uma morte programada”.

 

O papa defendeu ainda o direito à vida como fundamento dos direitos humanos.

 

A posição ocorre em um momento de mudanças na legislação francesa sobre questões relacionadas à reprodução e ao fim da vida. A França incluiu em sua Constituição, em 2024, a garantia da liberdade de recorrer ao aborto e, em julho, aprovou uma legislação relacionada à eutanásia e ao suicídio assistido em determinadas situações.

 

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A passagem de Leão XIV pela França conta com um forte esquema de segurança. Cerca de 15 mil policiais e gendarmes foram mobilizados, e a operação está estimada em 27 milhões de euros. 

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