Pesquisadores da USP identificaram proteína que permite ao parasita reconhecer a melatonina e pode ajudar a criar novos tratamentos
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com cientistas franceses, identificaram como o parasita responsável pela forma mais grave da malária reconhece a melatonina, hormônio que ajuda a regular o sono. A descoberta pode contribuir para o desenvolvimento de novos medicamentos contra a doença.
O estudo identificou uma proteína chamada MT-PfSR1, utilizada pelo Plasmodium falciparum para detectar a melatonina produzida pelo organismo humano. Esse mecanismo permite que o parasita utilize sinais do relógio biológico do hospedeiro para sincronizar seu desenvolvimento dentro dos glóbulos vermelhos.
A multiplicação do parasita ocorre em ciclos de aproximadamente 48 horas. Ao final de cada ciclo, as células sanguíneas infectadas se rompem e liberam novos parasitas na circulação. Esse processo está relacionado aos episódios periódicos de febre que caracterizam a malária.
Veja também

Anvisa suspende implantes hormonais e determina recolhimento de lote de tirzepatida
A investigação dá continuidade a estudos iniciados há mais de duas décadas, quando pesquisadores observaram que a melatonina influenciava o desenvolvimento do parasita em culturas de células. Agora, a identificação do receptor ajuda a explicar como esse reconhecimento acontece e abre novas possibilidades para investigar o funcionamento do microrganismo.
Durante os experimentos, os cientistas também analisaram uma substância sintética chamada AR34. Em testes de laboratório, o composto demonstrou capacidade de atuar sobre a proteína identificada e inibir o crescimento do parasita, sem se ligar aos receptores humanos de melatonina. Os resultados ainda precisam de novas etapas de pesquisa para avaliar seu possível uso terapêutico.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
A malária é transmitida principalmente pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles, conhecido como mosquito-prego. A doença pode provocar febre, calafrios, dor de cabeça e fraqueza, além de complicações graves quando não tratada rapidamente. A descoberta representa uma nova linha de investigação científica, mas não significa que já exista um tratamento aprovado com base nesse mecanismo.