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Parlamento de Portugal aprova regras que dificultam cidadania para brasileiros
Foto: Reprodução

Governo e ultradireita fazem acordo sobre alterações que prejudicam milhares de residentes da maior comunidade imigrante. Projeto havia sido vetado pelo Tribunal Constitucional

Regras mais duras para tirar cidadania foram aprovadas hoje no Parlamento de Portugal. Milhares de brasileiros residentes terão que esperar mais tempo para iniciar o processo de nacionalidade.

 

A alteração mais prejudicial para os brasileiros é o acréscimo de dois anos no tempo de residência regular no país para iniciar o pedido de cidadania. O prazo exigido é de cinco anos, que sobe para sete.

 

— Esta lei define quem é a nossa sociedade. Patriotismo que é bom, o nacionalismo que é mau — disse António Leitão Amaro, ministro da Presidência, que tem sob sua tutela a pasta da imigração.

 

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— Em vez de convocar o patriotismo em torno dos valores, é o que se alia com o nacionalismo. Optaram por aprovar com um partido da extrema direita — rebateu Pedro Delgado Alves, do Partido Socialista (PS).

 

— Quem deseja ser português, não pode ser português de papel e de documentos — declarou André Ventura, presidende da sigla anti-imigração Chega, que fez acordo com o governo para a aprovação.

 

A contagem dos setes anos começa quando o brasileiro residente tiver expedida a sua autorização de residência pela agência de imigração (AIMA), ignorando o tempo de espera pelo documento.

 

Milhares de brasileiros esperam anos entre o pedido de residência e a emissão do documento. O tempo exato de espera é uma incógnita porque depende da burocracia do Estado.

 

Petições de brasileiras pediram a inclusão dos anos à espera do Estado como tempo válido para o acesso ao pedido de cidadania, mas o governo de centro-direita da Aliança Democrática (AD) foi inflexível.

 

Foi a segunda vez que os parlamentares debateram o projeto da AD, aprovado inicialmente em outubro de 2025. O Tribunal Constitucional (TC) vetou aquela primeira versão do projeto em 15 de dezembro.

 

Após uma nova redação, aprovada hoje, o governo manteve as duas alterações mais nocivas para os brasileiros e que não foram incluídas nas observações de inconstitucionalidade do Tribunal.

 

O PS, de centro-esquerda e que foi flexível ao longo de quase dez anos no poder, incluiu as propostas das petições na pauta. E defendeu um período de transição, que foi reprovado.

 

Uma maioria composta pela AD e pela ultradireita anti-imigração se juntou novamente hoje em acordo após terem aprovado com seus votos a trilogia anti-imigração recentemente.

 

As divergências iniciais da direita sobre perda de cidadania em caso de autoria de crimes estão superadas e foram aprovadas após serem enquadradas para tentar evitar novo veto constitucional.

 

O texto segue para o presidente da República, o socialista António José Seguro, que tem a possibilidade de pedir uma nova verificação ao Tribunal Constitucional.

 

PRINCIPAIS REGRAS APROVADAS


1. Residência: Aumento de cinco para sete anos do tempo de residência para um brasileiro, imigrantes de nações africanas de língua portuguesa (CPLP) e da União Europeia fazerem o pedido.


2. Prazo: Pedido só pode ser feito com autorização de residência expedida, ignorando período de espera devido ao caos na imigração.


3. Uma década: Aumento de cinco para dez anos do tempo de residência para candidatos de demais nacionalidades fazerem o pedido.


4. Sefarditas: Fim da concessão para descendentes de judeus sefarditas.

 

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5. Perda: Revogação da cidadania em caso de autoria de crimes. 

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