Nos últimos meses, Casa Branca publicou dois documentos demonstrando interesse em assegurar dominância militar nas Américas. Combate ao narcotráfico está no radar de Trump
O governo dos Estados Unidos elevou o tom contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) ao classificar a facção como “a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental”. A avaliação foi divulgada pelo Departamento do Tesouro norte-americano e reforça a nova estratégia da gestão de Donald Trump para ampliar sua atuação na América Latina.
A declaração acompanha a primeira rodada de sanções econômicas aplicadas pelos EUA contra dois brasileiros e três empresas suspeitos de ligação com um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. Segundo as autoridades americanas, a facção representa uma ameaça crescente à segurança nacional dos Estados Unidos por expandir suas operações para além do Brasil.
Nos últimos meses, a Casa Branca publicou documentos estratégicos indicando maior foco no chamado Hemisfério Ocidental — região que abrange da América do Norte à América do Sul. Entre os objetivos da política externa de Trump estão o combate ao narcotráfico, o endurecimento contra a imigração ilegal e a contenção da influência chinesa no continente.
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Na nova Estratégia Nacional de Defesa, Washington afirma buscar “paz por meio da força” e sinaliza disposição para ampliar operações militares e ações de inteligência contra organizações classificadas como narcoterroristas. O combate a cartéis e facções criminosas passou a ocupar papel central nessa política.
Em maio, os EUA também classificaram o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. Segundo o secretário de Estado, Marco Rubio, as facções brasileiras ultrapassaram fronteiras nacionais e já mantêm conexões operacionais em outros países das Américas, além de presença em território norte-americano.
A estratégia americana também resgata princípios da Doutrina Monroe, conceito histórico de predominância dos EUA sobre o continente. O objetivo declarado é reforçar a presença militar, ampliar o controle de rotas marítimas e fortalecer parcerias regionais para combater tráfico de drogas, armas e pessoas.
No Brasil, a medida gerou preocupação no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O Palácio do Planalto avalia que a classificação das facções como grupos terroristas pode abrir margem para pressões diplomáticas mais duras e, em cenários extremos, justificar ações unilaterais dos EUA sob argumento de segurança nacional.
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Especialistas, porém, destacam que a legislação brasileira já prevê instrumentos severos de combate ao crime organizado, com penas consideradas mais rígidas em alguns aspectos do que a própria legislação antiterrorismo.