Conflito entra no décimo dia, pressiona mercado de energia, encarece combustíveis e reduz perspectivas de uma solução diplomática.
Os Estados Unidos já gastaram cerca de US$ 37,5 bilhões (aproximadamente R$ 190,8 bilhões) na guerra contra o Irã. O novo cálculo foi divulgado nesta terça-feira (21) pelo secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, durante audiência na Comissão de Dotações do Senado.
O montante representa um aumento de quase US$ 8 bilhões em relação à estimativa anterior e inclui as despesas previstas para as operações militares até o dia 30 de setembro. A atualização foi apresentada ao lado do chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, e marca a primeira participação pública de Hegseth no Congresso desde o reinício da ofensiva militar americana contra o Irã.
O anúncio ocorre em meio ao décimo dia consecutivo de confrontos entre Washington e Teerã, conflito que vem ampliando a preocupação internacional com seus impactos econômicos, energéticos e geopolíticos.
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No cenário diplomático, o presidente Donald Trump voltou a adotar um tom duro ao descartar negociações imediatas com o governo iraniano. O republicano também reiterou a ameaça de atacar a instalação de Pickaxe Mountain, considerada estratégica para o programa nuclear do Irã, reduzindo ainda mais as expectativas de uma solução negociada para a crise.
Enquanto isso, os rebeldes houthis, aliados de Teerã no Iêmen, anunciaram um bloqueio naval contra embarcações da Arábia Saudita. A medida aumenta o temor de uma ampliação do conflito para outras áreas estratégicas da região, especialmente o estreito de Bab el-Mandeb, importante corredor marítimo entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden.
A escalada militar já provoca reflexos na economia mundial. A redução do fluxo de embarcações nas principais rotas de transporte de petróleo elevou a preocupação com o abastecimento global e impulsionou a alta dos combustíveis.
Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina ultrapassou US$ 4 por galão na segunda-feira (20), cenário que pode aumentar a pressão política sobre o governo Trump às vésperas das eleições legislativas de novembro, quando os republicanos tentarão manter o controle do Congresso.
Durante a audiência, Pete Hegseth afirmou que as Forças Armadas americanas vêm realizando, há vários meses, uma operação de escolta a navios mercantes no Estreito de Ormuz, principal rota de exportação de petróleo do Oriente Médio. Segundo ele, a missão, denominada Projeto Liberdade, garantiu a passagem segura de aproximadamente 400 a 500 milhões de barris de petróleo pela região.
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Apesar disso, o secretário reconheceu que o Irã continua mantendo capacidade militar para atacar embarcações comerciais que transitam pelo estreito, fator que mantém elevado o risco de novos confrontos e de impactos ainda maiores sobre o mercado internacional de energia.