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Perícia descarta suicídio e aponta participação de outra pessoa na morte da PM Gisele
Foto: Divulgação

Novo laudo do Instituto de Criminalística identificou divergências na cena do crime e reforçou a investigação contra o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto

Um laudo complementar do Instituto de Criminalística de São Paulo descartou a hipótese de suicídio na morte da soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos. A análise apontou incompatibilidades entre a versão apresentada inicialmente e os vestígios encontrados no apartamento onde a policial foi baleada.

 

Segundo o documento, divulgado na terça-feira (1º/9), a hipótese de que Gisele teria tirado a própria vida não corresponde aos elementos materiais analisados pelos peritos. O estudo das manchas de sangue e a avaliação detalhada da cena indicaram a participação de uma segunda pessoa na ocorrência.

 

O caso envolve o tenente-coronel da reserva da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, marido de Gisele e acusado de feminicídio. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a prisão preventiva do militar em decisão liminar assinada pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca.

 

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A defesa havia apresentado um pedido de habeas corpus alegando falta de fundamentação concreta para a prisão e destacando que o acusado teria colaborado com as investigações. O ministro, porém, considerou que havia risco à produção das provas, especialmente diante da posição ocupada pelo militar na hierarquia da PM e de possíveis condutas destinadas a alterar a cena ou eliminar vestígios.

 

O interrogatório de Geraldo, que já havia sido adiado anteriormente, também foi remarcado. O depoimento está previsto para 8 de setembro, no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo.

 

RELEMBRE O CASO

 

Gisele foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde morava com o marido, no Brás, região central de São Paulo. Ela foi socorrida e levada ao Hospital das Clínicas, mas morreu horas depois em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo.

 

Inicialmente, a ocorrência foi tratada como suicídio. Com o avanço das investigações, porém, a Polícia Civil passou a questionar essa versão após análises periciais e a reconstrução da dinâmica dos fatos.

 

Em março, a Polícia Civil pediu a prisão preventiva do tenente-coronel após os laudos apontarem inconsistências na hipótese de suicídio. A Justiça Militar decretou a prisão, e Geraldo foi localizado e preso em um condomínio residencial de São José dos Campos, no interior paulista.

 

LIGAÇÕES ANTES DA CHEGADA DO SOCORRO

 

Na manhã da ocorrência, Geraldo também realizou diversas ligações antes da chegada das autoridades. Entre os contatos estava o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, amigo pessoal do militar.

 

Segundo registros obtidos pela investigação, houve várias tentativas de contato antes de o desembargador atender. Cogan chegou a ir ao apartamento naquele dia e, posteriormente, prestou depoimento à Polícia Civil.

 

Apesar de sua participação nos acontecimentos, o desembargador não foi incluído como testemunha na audiência de instrução. Tanto acusação quanto defesa consideraram que seu depoimento não seria necessário para comprovar os fatos relacionados ao crime.

 

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Atualmente, Geraldo Leite Rosa Neto permanece preso preventivamente e responde à acusação relacionada à morte da esposa. 

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