Uma substância encontrada no taro, conhecido popularmente como inhame em algumas regiões, está sendo estudada por pesquisadores como uma possível alternativa para o desenvolvimento de novos tratamentos contra o câncer.
A pesquisa envolve a tarina, uma proteína presente na parte subterrânea da planta. Em estudos realizados em laboratório, a substância apresentou efeitos contra células de câncer de mama e glioblastoma, um dos tipos mais agressivos de tumor cerebral.
Para potencializar sua ação, os pesquisadores desenvolveram uma formulação em que a tarina é encapsulada em estruturas microscópicas chamadas nanolipossomos. A estratégia busca melhorar a entrega da substância e reduzir impactos sobre células saudáveis.
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O QUE OS PESQUISADORES DESCOBRIRAM
Nos experimentos com células tumorais, a tarina nanoencapsulada conseguiu interromper a multiplicação das células e ativar mecanismos associados à morte celular.
Os pesquisadores também observaram redução na capacidade de migração das células cancerosas, um aspecto importante nos estudos sobre a disseminação dos tumores.
Outro ponto investigado foi a possibilidade de a formulação alcançar o cérebro. Em um modelo desenvolvido em laboratório para reproduzir a barreira que protege o sistema nervoso, parte da substância conseguiu atravessar essa estrutura.
Os resultados são considerados promissores porque um dos grandes desafios no tratamento do glioblastoma é fazer com que medicamentos consigam chegar ao tecido cerebral em quantidade adequada.
PESQUISA AINDA NÃO É TRATAMENTO
Apesar dos resultados, é importante destacar que a pesquisa ainda está em fase pré-clínica. Os testes foram realizados principalmente em células cultivadas em laboratório e não significam que a substância já possa ser utilizada para tratar pacientes.
Antes de chegar aos hospitais, uma possível nova terapia precisa passar por várias etapas de pesquisa, incluindo estudos em animais, avaliações de segurança e eficácia e, posteriormente, testes clínicos em seres humanos.
Os pesquisadores também pretendem avaliar a tarina em modelos tridimensionais de tumores, conhecidos como esferoides, que podem reproduzir algumas características encontradas no organismo.
E O INHAME?
O estudo não significa que comer inhame possa tratar ou prevenir o câncer.
O alimento faz parte de uma alimentação equilibrada e pode fornecer nutrientes importantes, mas a substância analisada na pesquisa é uma proteína isolada e posteriormente utilizada em uma formulação desenvolvida em laboratório.
A expectativa dos pesquisadores é que os resultados ajudem, no futuro, a desenvolver tratamentos mais seletivos, capazes de atingir células tumorais e, ao mesmo tempo, preservar os tecidos saudáveis.
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Enquanto isso, a principal recomendação para a população continua sendo manter hábitos saudáveis, realizar consultas e exames de rotina e procurar atendimento médico diante de sintomas persistentes.