Pesquisa busca voluntários para testar polipílula contra AVC e demência
Uma pesquisa nacional está recrutando voluntários para testar a eficácia da primeira polipílula desenvolvida no Brasil para prevenir o Acidente Vascular Cerebral (AVC) e a demência. Batizado de PROMOTE (Promoção), o estudo é coordenado pela neurologista Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC e chefe do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento, em parceria com o Ministério da Saúde por meio do Proadi-SUS.
A pesquisa pretende acompanhar mais de 8 mil participantes por, no mínimo, três anos. O objetivo é avaliar se a combinação de medicamentos em um único comprimido melhora a adesão ao tratamento e contribui para o controle dos principais fatores de risco associados ao AVC e à demência.
A polipílula reúne dois medicamentos para controle da pressão arterial e uma estatina, utilizada para reduzir os níveis de colesterol. Segundo os pesquisadores, a primeira fase do estudo apresentou resultados promissores na redução dos fatores de risco cardiovasculares, permitindo o avanço para uma nova etapa de recrutamento em diversos estados.
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Podem participar pessoas com idade entre 50 e 75 anos que nunca tiveram AVC ou infarto, não utilizem medicamentos para hipertensão, colesterol ou diabetes e apresentem pelo menos um fator de risco cardiovascular, como obesidade, sedentarismo, tabagismo ou alimentação inadequada.
O estudo já é realizado em 14 Centros de AVC distribuídos por São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco e Acre. Além da avaliação da polipílula, os participantes recebem acompanhamento voltado à adoção de hábitos saudáveis, incluindo alimentação equilibrada, prática de atividade física e abandono do tabagismo.
Os interessados podem obter mais informações sobre os critérios de participação pelo telefone ou WhatsApp (51) 99935-6911.
O AVC continua entre as principais causas de morte e incapacidade no Brasil. De acordo com dados do Portal da Transparência do Registro Civil, 89.490 brasileiros morreram em decorrência da doença em 2025. Apenas no primeiro trimestre deste ano, foram registrados 20.461 óbitos.
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Segundo a coordenadora da pesquisa, Sheila Martins, cerca de 90% dos casos de AVC podem ser evitados com o controle adequado dos fatores de risco. A expectativa é que os resultados do estudo contribuam para ampliar as estratégias de prevenção e orientar futuras políticas públicas voltadas ao combate do AVC e da demência.