Pesquisa aponta que 61% das brasileiras não fizeram Papanicolau no último ano e reforça a importância da prevenção dos tumores ginecológicos.
Apesar do maior acesso à informação sobre saúde, muitas brasileiras ainda não incorporam a prevenção do câncer do colo do útero à rotina. O alerta aparece em uma pesquisa realizada em 2026 pelo Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), em parceria com o Instituto Locomotiva.
De acordo com o levantamento, 61% das brasileiras não fizeram o exame de Papanicolau no último ano, enquanto 34% não se consideram parte do grupo de risco para o câncer do colo do útero. Os dados apontam para uma diferença entre conhecer os riscos da doença e adotar medidas efetivas de prevenção.
O câncer do colo do útero está diretamente relacionado à infecção pelo HPV, vírus bastante comum e que ainda é cercado por tabus e desinformação. Para a médica Andrea Gadelha, presidente do Grupo EVA, o fato de o HPV ser uma infecção sexualmente transmissível ainda contribui para julgamentos e dificulta o diálogo sobre prevenção.
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Segundo ela, a infecção é frequente entre pessoas sexualmente ativas e ter HPV não significa, necessariamente, que a pessoa desenvolverá câncer. A médica também destaca que o vírus pode permanecer no organismo e ser reativado em determinadas circunstâncias.
INFORMAÇÃO AINDA NÃO SE TRANSFORMA EM PREVENÇÃO
A pesquisa também mostrou que o aumento do conhecimento sobre o câncer não tem sido acompanhado, na mesma proporção, pela adoção de cuidados preventivos.
Para Carolina Tonussi, gerente de pesquisa do Instituto Locomotiva, um dos principais obstáculos é a falta de percepção das próprias mulheres sobre a possibilidade de desenvolver a doença. Segundo ela, tabus e a ausência de conversas naturais sobre o tema acabam dificultando a adesão aos exames e demais medidas de prevenção.
Nesse cenário, especialistas defendem que a conscientização precisa ir além da divulgação de informações e estimular mudanças concretas nos hábitos de cuidado com a saúde.
CAMPANHA AMPLIA DEBATE SOBRE TUMORES GINECOLÓGICOS
Criada pelo Grupo EVA em 2021, a campanha Setembro Flor busca chamar atenção para os cinco principais tipos de tumores ginecológicos: câncer do colo do útero, corpo do útero (endométrio), ovário, vulva e vagina.
A iniciativa tem como objetivos combater a desinformação, incentivar o cuidado integral com a saúde feminina e ampliar a mobilização em favor da prevenção e do diagnóstico precoce.
O debate também envolve o ambiente de trabalho. Para a médica Adriana Arias, especialista pela AMB/ANAMT e mestranda em Saúde Coletiva com foco em Epidemiologia pela Unicamp, campanhas como Outubro Rosa e Novembro Azul mostram que as empresas podem ter um papel importante na promoção da saúde dos trabalhadores.
Segundo ela, o mesmo esforço precisa ser direcionado aos tumores ginecológicos, com ações que estimulem a vacinação e outras formas de prevenção. A especialista destaca ainda que o adoecimento pode levar ao afastamento das trabalhadoras, o que reforça a importância de iniciativas preventivas dentro das empresas.
A proposta do Setembro Flor é justamente ampliar essa discussão e estimular mulheres, empresas e poder público a tratarem a prevenção dos cânceres ginecológicos como parte permanente dos cuidados com a saúde.
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Com informações do evento. A jornalista viajou a convite da organização.