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Pesquisador critica concessão florestal na BR-319 e alerta para avanço do crime organizado
Foto: Divulgação

Especialista afirma que falta de fiscalização compromete projeto de manejo sustentável previsto para a Flona de Balata-Tufari, no sul do Amazonas.

O edital de concessão florestal da Floresta Nacional (Flona) de Balata-Tufari, lançado pelo governo federal como estratégia para promover o manejo sustentável e estimular o desenvolvimento econômico na região sul do Amazonas, tem gerado questionamentos entre especialistas. Um dos críticos da iniciativa é o pesquisador Lucas Ferrante, que alerta para a fragilidade da fiscalização e o avanço de organizações criminosas na área de influência da BR-319.

 

O projeto, desenvolvido com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), prevê a concessão de aproximadamente 267 mil hectares de floresta pública para exploração sustentável por um período de 35 anos. A expectativa do governo é produzir cerca de 134 mil metros cúbicos de madeira certificada por ano, gerar mais de 1,2 mil empregos e atrair investimentos superiores a R$ 300 milhões.

 

Além da exploração florestal, as empresas vencedoras da licitação deverão investir cerca de R$ 2 milhões anuais em ações de pesquisa científica, educação ambiental, monitoramento e fortalecimento das comunidades tradicionais, incluindo ribeirinhos e povos indígenas.

 

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Apesar das metas apresentadas, Lucas Ferrante, pesquisador do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima (CBioclima), da Universidade de São Paulo (USP), avalia que a ausência de uma estrutura eficiente de fiscalização compromete a efetividade da proposta.

 

Segundo ele, a região enfrenta problemas de governança e registra a expansão de organizações criminosas, cenário que, na sua avaliação, dificulta o controle das atividades desenvolvidas na floresta.

 

Ferrante defende que o Ministério Público acompanhe de perto a execução do projeto e afirma que estudos realizados em parceria com órgãos de defesa apontam a necessidade de ampliar significativamente a presença das forças de segurança ao longo da BR-319, com postos permanentes de fiscalização para reforçar o combate aos crimes ambientais e à atuação de facções.

 

O pesquisador também sustenta que, sem mecanismos robustos de controle, iniciativas de exploração econômica podem não alcançar os resultados esperados em termos de conservação ambiental.

 

O debate ocorre paralelamente às discussões sobre a pavimentação da BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho. Enquanto setores econômicos defendem a recuperação da estrada como forma de impulsionar o desenvolvimento regional, pesquisadores e organizações ambientais alertam para os riscos de aumento do desmatamento e da ocupação irregular na Amazônia.

 

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Embora a concessão florestal e as obras de pavimentação sejam projetos distintos, ambos integram as ações planejadas pelo governo federal para a região e reacendem o debate sobre desenvolvimento econômico, preservação ambiental e fortalecimento da fiscalização na Amazônia. 

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