Mya, de três anos, foi observada brincando com Gabbo, um brinquedo com inteligência artificial da Curio
Pesquisadores da Universidade de Cambridge pedem regulamentação mais rigorosa para brinquedos com inteligência artificial destinados a crianças menores de cinco anos, após conduzirem um dos primeiros estudos sobre como elas interagem com a tecnologia. O teste avaliou a interação de crianças entre três e cinco anos com o brinquedo de pelúcia Gabbo, que possui um chatbot de IA da OpenAI.
Embora pais tenham se interessado pelo potencial do brinquedo para desenvolver habilidades de linguagem e comunicação, as crianças frequentemente tiveram dificuldade de interagir com ele. Gabbo não respondia bem a interrupções, falava por cima dos pequenos, não diferenciava vozes de adultos e crianças e reagia de forma desajeitada a demonstrações de afeto ou emoções. Quando uma criança disse "Estou triste", o brinquedo respondeu de forma evasiva, ignorando o sentimento, o que preocupa os pesquisadores quanto à segurança psicológica.
Dra. Emily Goodacre destacou que brinquedos como Gabbo podem interpretar mal emoções ou reagir de forma inadequada, deixando a criança sem conforto ou apoio adulto. Jenny Gibson afirmou que, além da segurança física, é necessário pensar também na segurança psicológica em brinquedos para a primeira infância.
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Gabbo, um dispositivo com voz gerada por IA
(Foto: Reprodução)
O estudo observacional de um ano recomenda que órgãos reguladores atuem para garantir que produtos de IA para crianças ofereçam proteção emocional adequada. A Curio, empresa que fabrica o Gabbo, disse que prioriza transparência, controle parental e pesquisa contínua sobre interação de crianças com IA.
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Autoridades e especialistas reforçam a necessidade de supervisão. Dame Rachel de Souza afirmou que sem regulamentação, assistentes de IA em creches não passam pelos mesmos padrões de segurança exigidos de outros recursos. June O'Sullivan, gestora de rede de creches, disse que ainda não há evidências de benefícios da IA na primeira infância, e Sophie Winkleman destacou que o toque humano é essencial no desenvolvimento de crianças pequenas.