A presidente da companhia disse ainda que o conflito no Oriente Médio causou o aumento expressivo da demanda por óleo cru e refinados por países asiáticos
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou que a empresa assinará um memorando com a Pemex ainda este mês, visando cooperação em tecnologia e refino. O conflito no Oriente Médio elevou a demanda asiática por petróleo, beneficiando a Petrobras. Além disso, a sede da empresa no Rio foi reinaugurada após uma reforma de R$ 1,3 bilhão. A disputa fiscal com o governo do RJ também foi abordada, com divergências sobre um crédito de R$ 20 bilhões.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que Juan Carlos Carpio, presidente da estatal mexicana de petróleo vem ao Brasil neste mês para assinar um memorando de conversas com a companhia brasileira.
— Estamos prevendo para esse mês a vinda do presidente da Pemex ao Brasil. E vamos assinar os acordos de confidencialidade, memorando de entendimento, e começar estudos conjuntos — disse.
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Magda afirmou que a Petrobras pretende iniciar cooperações com a empresa do México nas áreas de tecnologia, exploração, produção e refino:
— Vamos cooperar e esses estudos podem se desdobrar em negócios. Estamos desenhando isso, para entender o retorno econômico de possíveis negócios — afirmou ela durante a reinauguração do edifício sede da Petrobras, no Centro do Rio de Janeiro, que passou por uma reforma de quatro anos, ao custo de R$ 1,3 bilhão.
As declarações de Chambriard foram feitas após uma videoconferência realizada na quarta-feira entre o presidente Lula e sua homóloga mexicana Claudia Sheinbaum, que discutiram a cooperação no setor energético, incluindo uma possível parceria entre as empresas petrolíferas estatais de ambos os países.
Diante da interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz por conta do conflito do Irã, Magda afirmou que houve aumento expressivo da demanda por óleo cru e refinados por países asiáticos. A presidente da companhia disse ainda que o conflito promove a abertura de mercados, como a primeira venda de coque verde para a Saudi Aramco na China.
— Vendemos petróleo cru para o mundo todo. A Ásia é nosso principal cliente, vendemos muito petróleo para China. Tivemos Japão, Coreia do Sul, Índia, diversos países nos procurando, (e estamos) enviando muito mais volume de petróleo. Inauguramos pela primeira vez a venda de coque verde para a Aramco na China — afirmou ela, sobre a venda de 40 mil toneladas do produto utilizado para fazer cimento à operação chinesa da petrolífera saudita. — Quando falamos da Guerra do Golfo falamos de uma corrida de diversos países à Petrobras buscando novas fontes de fornecimento, tanto de óleo cru como derivados.
DISPUTA FISCAL NO RJ
Questionada sobre uma declaração do governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, de que a Petrobras possui um crédito devido de R$ 20 bilhões com o Estado, Magda afirmou que pode haver um desentendimento de obrigações:
— Algumas dívidas a gente acha que são plausíveis, outras achamos que são de teses que não se sustentam. Em 2025 a Petrobras pagou R$277 bilhões em tributos para União, estados e municípios. A gente apura nossos tributos e revisamos. Se há tributo não pago, é porque achamos que a tese não se enquadra ao nosso entendimento da aplicabilidade do tributo — afirmou.
Na segunda-feira, Couto disse que haveria a possibilidade de usar tributos devidos pela petrolífera para aderir ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados e do DF (Propag).
REFORMA BILIONÁRIA
Com cinquenta anos de idade, o edifício sede da Petrobras foi reinaugurado nesta sexta-feira. A reforma foi a primeira a nível total, incluindo estrutural, do edifício próximo ao Largo da Carioca, no centro do Rio.
— O prédio estava com borrachas das janelas ressecadas, brises inoperantes, problemas hidrossanitários, como tubulações com vazamentos frequentes, e sistema de refrigeração obsoleto — disse Leandro Sereno, engenheiro responsável pela reforma.
— Agora, estamos com 60km de novos tubos, novo sistema de ar-condicionado, 35 mil m² de impermeabilização e fachada renovada — ele disse. Foram 600 toneladas de vidro retiradas e outras 500 toneladas de alumínio destinadas à reciclagem. Os brises, característicos da arquitetura do edifício, agora são automatizados e perseguem o sol, garantindo melhoria térmica.
O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), comemorou o que chamou de “transcendência” da reforma do edifício. Sem citar nominalmente, Cavaliere criticou o destino da petrolífera durante a última gestão presidencial:
— Não houve um esvaziamento pela pandemia. O fechamento do Edise (como é conhecido o prédio) foi um projeto político, de destruição da Petrobras. Foi, mais uma vez, como tentaram fazer com a engenharia do Brasil ao longo dos últimos anos, o governo anterior procurou fazer da Petrobras um projeto de destruição, como fizeram com a BR Distribuidora, e conseguiram — afirmou Cavalieri, acompanhado pela presidente da estatal:
— Houve tentativa de apagar o Edise e de apagar a Petrobras na imagem dos brasileiros, tornar esta empresa, a maior da América Latina, em insignificante. Isso que fazemos hoje é mais uma retomada, retomando as rédeas da indústria do petróleo no Brasil — afirmou Magda.
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A reforma ainda não está totalmente concluída e o prédio terá sua ocupação retomada gradualmente. A diretoria começa a ocupar o prédio na próxima quarta-feira e, em novembro, novos andares começam a ser disponibilizados a outras áreas. A reforma só será concluída em 2028.