Queda do Brent é associada à retomada gradual do tráfego no Estreito de Ormuz e traz alívio ao cenário inflacionário.
O preço do petróleo Brent encerrou o pregão em forte queda de 4,33%, sendo negociado a US$ 73,74 por barril, o menor patamar registrado desde 27 de fevereiro. A retração ocorre após o anúncio da Organização Marítima Internacional sobre a retomada gradual do tráfego no Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o transporte global de petróleo.
O movimento no mercado reflete uma percepção de maior estabilidade no Oriente Médio, especialmente após avanços em acordos diplomáticos entre países envolvidos nas tensões recentes. Antes da escalada do conflito, o Brent era negociado próximo de US$ 70, nível considerado mais equilibrado pelos analistas.
Durante evento no Rio de Janeiro, o diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Arthur Watt, avaliou que a tendência de queda pode contribuir para uma redução gradual nos preços dos combustíveis no mercado interno, caso o cenário de estabilidade se mantenha.
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A queda no preço do petróleo também tem efeitos diretos sobre o cenário inflacionário. Segundo analistas de mercado, os combustíveis foram um dos principais fatores de pressão sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no primeiro semestre do ano, com alta acumulada de cerca de 6% em 12 meses até maio.
Para especialistas, a recente acomodação das cotações internacionais pode ajudar a aliviar parte dessas pressões nos próximos meses. No entanto, o impacto dependerá da continuidade do acordo diplomático e da manutenção dos preços em níveis mais baixos por um período prolongado.
Apesar da melhora nas expectativas relacionadas aos combustíveis, economistas destacam que outros fatores ainda pressionam a inflação, como condições climáticas e desafios na produção agrícola.
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A divulgação do IPCA-15 de junho pelo IBGE deve indicar uma leve desaceleração em relação ao mês anterior. Ainda assim, a política monetária deve permanecer restritiva, com a taxa Selic mantida em patamar elevado ao longo do ano, refletindo a cautela do Banco Central diante das incertezas econômicas.