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Polícia Federal aponta compra milionária de gado com recursos de suposto esquema de fraudes no INSS
Foto: Divulgação

Investigação indica que presidente da Conafer teria adquirido rebanhos e fazendas com dinheiro desviado de descontos ilegais em benefícios previdenciários.

A Polícia Federal (PF) identificou indícios de que o presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, teria utilizado recursos oriundos de um suposto esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para adquirir gado, fazendas e outros bens de alto valor.

 

As informações constam no relatório da primeira fase da Operação Sem Desconto, encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Segundo a investigação, somente uma das compras de rebanho teria custado R$ 1,7 milhão.

 

A descoberta foi feita durante a análise do celular do empresário Higor Dalle Vedove Lourenção, um dos investigados na operação. Em conversas extraídas do aplicativo WhatsApp, os policiais encontraram mensagens que fazem referência à emissão de um cheque de R$ 1,7 milhão para a compra de gado, além de outros pagamentos destinados à aquisição de animais.

 

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De acordo com a PF, um dos interlocutores, identificado como Cícero, demonstrava preocupação com a compensação do cheque milionário e afirmava que Carlos Roberto estaria apreensivo com a possibilidade de o pagamento não ser concluído.

 

As investigações apontam que Cícero Marcelino de Souza Santos atuava como operador financeiro do grupo, sendo responsável por organizar pagamentos relacionados à compra de gado e de material genético de alto valor. Os investigadores também identificaram um grupo de mensagens denominado "GADO COMPROVANTES", utilizado para armazenar recibos e comprovantes de transferências bancárias.

 

Segundo o relatório, os recursos utilizados nas aquisições não saíam diretamente das contas pessoais dos investigados. A Polícia Federal afirma que empresas de fachada eram usadas para ocultar a origem do dinheiro e realizar as transações financeiras.

 

A investigação revela que, entre agosto e setembro de 2023, essas empresas transferiram mais de R$ 1,17 milhão para a compra de lotes de gado. Em novembro de 2024, outros R$ 675 mil teriam sido pagos a um fornecedor identificado como "Celso Gado" para a aquisição de mais 30 animais.

Além da compra de rebanhos, a PF sustenta que Carlos Roberto, sua esposa Bruna Braz de Souza Santos e o cunhado Vinicius Ramos da Cruz utilizaram recursos do suposto esquema para adquirir fazendas, veículos de luxo e outros patrimônios por meio da empresa Agropecuária e Mineração Lagoa Alta Ltda.

 

Durante o cumprimento de mandados judiciais, os agentes apreenderam aproximadamente 1.487 bovinos, 33 equinos e muares, além de caminhões, carretas, uma caminhonete, equipamentos agrícolas e documentos relacionados às propriedades rurais localizadas em Minas Gerais. Por decisão da Justiça, os animais permaneceram nas fazendas sob a responsabilidade de depositários judiciais.

 

A Polícia Federal estima que o grupo ligado à Conafer movimentou cerca de R$ 708 milhões entre 2019 e 2024. O primeiro inquérito da Operação Sem Desconto resultou no indiciamento de 48 pessoas pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção.

 

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Carlos Roberto Ferreira Lopes foi indiciado por organização criminosa, lavagem de dinheiro qualificada e corrupção ativa majorada. Segundo a Polícia Federal, ele é considerado foragido. O relatório será analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se apresentará denúncia formal contra os investigados. A Conafer foi procurada para comentar as acusações, mas não havia se manifestado até a última atualização do caso. 

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