Operação Backbone cumpre 23 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão contra grupo criminoso suspeito de obrigar moradores a contratar serviços de internet ligados ao tráfico.
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta segunda-feira (19), a Operação Backbone, com o objetivo de desarticular um esquema criminoso de exploração de serviços de internet em comunidades do Rio de Janeiro. A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e prevê o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores de investigados.
Segundo as investigações, integrantes de uma facção criminosa utilizavam ameaças e armas de fogo para controlar o fornecimento de internet em comunidades dos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. Moradores e comerciantes eram obrigados a contratar provedores autorizados pelo grupo, que impedia a atuação de empresas concorrentes.
Para manter o monopólio, criminosos armados cortavam cabos de internet, incendiavam caixas de distribuição e impediam que operadoras regulares realizassem reparos nas redes. Além disso, os provedores autorizados a funcionar nas áreas dominadas precisavam pagar uma taxa mensal à organização criminosa.
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De acordo com a Polícia Federal, registros financeiros da própria facção revelaram que, em determinado mês, a cobrança relacionada ao fornecimento de internet representou mais de 40% da arrecadação do grupo no Complexo da Penha. O esquema se tornou uma importante fonte de financiamento das atividades criminosas.
As investigações também apontaram que um dos líderes da organização, preso há quase 30 anos e atualmente custodiado no Sistema Penitenciário Federal, continuava comandando atividades empresariais nos territórios controlados. Ele teria contado com a participação de familiares e outros integrantes da facção para administrar os recursos obtidos ilegalmente.
O dinheiro arrecadado era movimentado por meio de empresas, operadores financeiros e contas bancárias utilizadas para dificultar o rastreamento dos valores. Parte dos recursos teria sido direcionada a produtoras de eventos, agências de publicidade, imóveis de alto padrão adquiridos com dinheiro em espécie e operações com criptomoedas.
A operação prevê o cumprimento de 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão no Rio de Janeiro e nos municípios de Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. O bloqueio de até R$ 558 milhões atinge 40 pessoas físicas e 42 empresas suspeitas de envolvimento no esquema criminoso.
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A Polícia Federal informou que solicitará à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a cassação das autorizações das empresas investigadas, com medidas para preservar o acesso dos moradores à internet. Os suspeitos poderão responder por extorsão, lavagem de dinheiro, interrupção de serviços de telecomunicações, domínio social estruturado e outros crimes identificados durante as investigações.