Entre os alvos também estão secretários, desembargador e um procurador do estado
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (6), a Operação Heritage, que investiga um suposto esquema de desvio de mais de R$ 308 milhões envolvendo um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e uma empresa de telefonia. O principal alvo da ação é o ex-governador Mauro Mendes, além do deputado federal Fábio Garcia (União) e outros agentes públicos.
Ao todo, a PF cumpre 25 mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. As ordens foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 316 milhões, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.
Entre os alvos da investigação estão ainda secretários, um desembargador e um procurador do Estado. Até o momento, os nomes dos demais investigados não foram divulgados. Fábio Garcia é indicado como vice na chapa de reeleição do governador Otaviano Pivetta.
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Segundo a investigação, o caso envolve um acordo firmado entre a Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso (PGE-MT) e a operadora Oi S.A., relacionado a uma disputa tributária envolvendo valores de ICMS. O acordo, fechado em abril de 2024, encerrou uma ação judicial que se arrastava desde 2009 e resultou no pagamento de R$ 308 milhões ao Estado.
Os investigadores apontam suspeitas de que a operação financeira teria sido utilizada para desviar recursos públicos por meio de fundos de investimento e empresas intermediárias, com o objetivo de ocultar a origem e o destino dos valores. A apuração envolve possíveis crimes como peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada.
Em nota, Mauro Mendes afirmou que confia no trabalho da Polícia Federal e que irá colaborar com todas as solicitações feitas durante a investigação. O ex-governador declarou ainda que aguarda com tranquilidade o andamento do caso e acredita que os fatos serão esclarecidos.
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O acordo entre o governo estadual e a operadora já havia sido alvo de questionamentos do Ministério Público Estadual, que investigou a destinação dos valores e possíveis benefícios a pessoas ligadas ao ex-governador. A nova investigação da PF segue em andamento e pode apontar novos envolvidos e outros possíveis crimes.