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Polícia Federal prende mulher e filho de Marcinho VP em operação contra esquema milionário de internet do tráfico no Rio
Foto: Gabriel de Paiva/ Agência O globo

Operação Backbone investiga monopólio de serviços de internet controlado pelo Comando Vermelho. Justiça determinou bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores de investigados.

A Polícia Federal (PF) prendeu, na manhã desta segunda-feira (19), Márcia Gama dos Santos Nepomuceno e Lucas Santos Nepomuceno, esposa e filho do traficante Marcinho VP, durante uma operação contra um esquema de exploração ilegal de serviços de internet em comunidades do Rio de Janeiro. A ação, denominada Operação Backbone, investiga atividades atribuídas ao Comando Vermelho (CV).

 

Márcia e Lucas também são mãe e irmão do rapper Oruam, respectivamente. Os dois estão entre os investigados por suspeita de participação em uma estrutura criminosa que utilizava empresas provedoras de internet para arrecadar dinheiro e movimentar recursos provenientes das atividades da facção. Até a manhã desta segunda-feira, 19 pessoas haviam sido presas durante a operação.

 

Segundo as investigações, integrantes do Comando Vermelho utilizavam ameaças e violência armada para controlar o fornecimento de internet nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na capital fluminense. Moradores e comerciantes eram obrigados a contratar serviços de empresas autorizadas pela organização criminosa, que impedia a atuação de operadoras concorrentes.

 

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Para manter o monopólio, criminosos cortavam cabos, incendiavam caixas de distribuição e impediam a realização de reparos nas redes de telecomunicações. Além disso, os provedores autorizados a funcionar nas comunidades precisavam pagar uma taxa mensal à facção. Conforme a Polícia Federal, em determinado mês, a exploração do serviço representou mais de 40% da arrecadação do grupo no Complexo da Penha.

 

As investigações também apontam que Marcinho VP, considerado uma das principais lideranças históricas do Comando Vermelho, continuava exercendo influência sobre atividades empresariais nos territórios dominados pela facção, mesmo estando preso há quase três décadas. Segundo os investigadores, familiares e outros integrantes da organização participariam da administração e movimentação dos recursos financeiros.

 

Foto: Reprodução

 

A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e prevê o cumprimento de 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão. As diligências ocorrem no Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé, além de unidades do sistema penitenciário.

 

A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores relacionados a 40 pessoas físicas e 42 empresas investigadas. Entre os estabelecimentos envolvidos estão provedores de internet, produtoras de eventos, empresas de publicidade e companhias suspeitas de serem utilizadas para ocultar a origem dos recursos. A Polícia Federal apura possíveis crimes de extorsão, lavagem de dinheiro e interrupção de serviços de telecomunicações.

 

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A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será comunicada para avaliar a cassação das autorizações e a interdição dos serviços prestados pelas empresas investigadas. Segundo a Polícia Federal, também serão adotadas medidas para garantir que os moradores das comunidades afetadas não fiquem sem acesso à internet durante o andamento das investigações.

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