Apuração envolve pornografia infantil, deepfakes e uso irregular de sistemas automatizados; Elon Musk foi convocado a prestar esclarecimentos
A polícia francesa realizou, na manhã desta terça-feira (3), buscas nos escritórios do X na França como parte de uma investigação conduzida pelo Ministério Público de Paris. A apuração preliminar envolve suspeitas graves, como a disseminação de pornografia infantil, deepfakes de cunho sexual e outras infrações relacionadas ao uso da plataforma.
Segundo os procuradores, Elon Musk, proprietário da rede social, foi formalmente intimado a prestar esclarecimentos no âmbito da investigação. Também foi convocada Linda Yaccarino, que ocupou o cargo de CEO do X entre 2023 e 2025. Os chamados “depoimentos voluntários” estão agendados para o dia 20 de abril de 2026, em Paris, e se referem à atuação da direção da empresa à época dos fatos investigados.
A investigação foi aberta em janeiro de 2025 pela unidade de combate a crimes cibernéticos do Ministério Público francês. De acordo com as autoridades, o inquérito apura possível cumplicidade na manutenção e difusão de imagens pornográficas envolvendo menores, deepfakes sexualmente explícitos, negação de crimes contra a humanidade e manipulação de sistemas automatizados de processamento de dados, além de outras infrações cometidas de forma organizada.
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Funcionários do X que atuam na França também foram intimados a depor como testemunhas. A operação contou com o apoio da Unidade Nacional de Cibersegurança (UNCyber) e da Agência da União Europeia para a Cooperação Policial. Até o momento, um porta-voz da empresa não respondeu aos pedidos de comentário.
Em paralelo às diligências, o Ministério Público de Paris anunciou, por meio de uma publicação, que deixará de utilizar o X, passando a se comunicar com o público por outras redes sociais. Segundo os promotores, a condução da investigação busca garantir que a plataforma cumpra a legislação francesa, já que opera em território nacional. Elon Musk, por sua vez, já havia negado as acusações anteriormente, classificando a investigação como politicamente motivada.