Em ano eleitoral, ministros, governadores, parlamentares e dirigentes acompanharam os desfiles sob o pano de fundo de disputas, estratégias partidárias e questionamentos na Justiça
A primeira noite de desfiles no Sambódromo do Rio não foi marcada apenas pelo brilho das fantasias e pelo som das baterias. Nos bastidores e camarotes da Marquês de Sapucaí, o que se viu foi um verdadeiro desfile de autoridades, articulações políticas e movimentos estratégicos que ultrapassaram a Passarela do Samba.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou presença no camarote do prefeito Eduardo Paes e chegou a descer brevemente à avenida durante o desfile da Acadêmicos de Niterói, que o homenageou contando sua trajetória da infância à Presidência. Lula interagiu com componentes no segundo recuo de bateria e depois retornou ao espaço reservado, de onde acompanhou os desfiles até as 4h53.
A passagem do presidente pela pista ocorreu sob clima de cautela. A homenagem virou alvo de representações judiciais por suposta propaganda eleitoral antecipada. Por orientação da Advocacia-Geral da União, ministros e autoridades evitaram desfilar ou dar declarações sobre o tema. Entre os presentes estavam Geraldo Alckmin e outros integrantes do primeiro escalão.
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A primeira-dama Janja da Silva, que inicialmente sairia em um dos carros alegóricos, acabou não desfilando e chegou ao camarote após o início da apresentação da escola. Não houve explicação oficial para a mudança. O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, também preferiu não cruzar a avenida.
O desfile da escola contou com patrocínios das prefeituras do Rio e de Niterói, do governo estadual e da própria Embratur. Os repasses, segundo informado, foram feitos de forma igualitária às agremiações, mas o uso de recursos públicos em ano pré-eleitoral acendeu o alerta jurídico.
Entre os nomes históricos presentes no camarote estavam José Dirceu e Aloizio Mercadante, atual comandante do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Deputados como Tarcísio Motta e Henrique Vieira também marcaram presença.
Enquanto a azul e branca passava pela avenida, o governador do Rio, Cláudio Castro, chamou atenção ao manter o som alto em seu camarote, contrariando a tradição de desligar a música durante os desfiles.
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Eduardo Leite participa do esquenta da Portela, mas
nega convite para desfilar (Foto: Fernanda Alves)
Já o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, acompanhou os desfiles dos camarotes e participou do esquenta da Portela, mas optou por não desfilar. Ele negou que a decisão tenha relação com críticas sobre financiamento estadual para a escola.
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o governador
do Amapá, Clécio Luís, assistiram ao desfile da Mangueira
em Macapá, num telão (Foto: Reprodução de Instagram)
Quem também era esperado na Sapucaí, mas acompanhou à distância, foi o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Ao lado do governador do Amapá, Clécio Luís, ele assistiu ao desfile da Estação Primeira de Mangueira em um telão montado em Macapá. A escola homenageia o estado com o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju — O Guardião da Amazônia Negra” e recebeu cerca de R$ 10 milhões em patrocínio do governo amapaense.
Na Imperatriz Leopoldinense, o clima também foi de pré-campanha. Pré-candidato a deputado estadual, João Drumond discursou antes dos ensaios e desfiles, reforçando sua proximidade com o deputado federal Doutor Luizinho.
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Entre homenagens, cifras milionárias e orientações jurídicas, o carnaval mostrou que, além de samba no pé, a Sapucaí também virou terreno estratégico para alianças e posicionamentos políticos em ano decisivo.