Tecnologia desenvolvida na planta Haru Oni transforma hidrogênio e CO? em combustível compatível com motores convencionais
Uma tecnologia desenvolvida no extremo sul do Chile busca criar uma alternativa para reduzir as emissões de veículos que utilizam motores a combustão. Na planta Haru Oni, localizada em Punta Arenas, a Porsche e a empresa HIF Global produzem um combustível sintético conhecido como eFuel, fabricado a partir de água, ar e energia eólica.
A iniciativa parte de um desafio da transição energética: além de estimular a substituição de veículos novos por modelos elétricos, é necessário encontrar soluções para a enorme frota de carros com motores a combustão que já circula pelo mundo.
A região de Punta Arenas foi escolhida por apresentar ventos fortes e frequentes durante praticamente todo o ano. Na unidade, uma turbina eólica de 150 metros de altura apresenta aproveitamento estimado em 74%, funcionando em sua capacidade máxima durante cerca de 270 dias por ano.
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Como a gasolina sintética é produzida
O processo começa com a geração de eletricidade por meio da energia dos ventos. Essa eletricidade alimenta diferentes etapas necessárias para transformar elementos naturais em um combustível com características semelhantes às da gasolina convencional.
Primeiro, a água do mar é dessalinizada e submetida à eletrólise, processo que separa suas moléculas em hidrogênio e oxigênio. O hidrogênio obtido é utilizado posteriormente na produção do combustível.
Ao mesmo tempo, um sistema de captura direta do ar retira dióxido de carbono (CO?) da atmosfera. O gás é separado por meio de filtros que retêm o CO? e depois o liberam em uma forma concentrada.
Na etapa seguinte, o hidrogênio verde é combinado ao CO? capturado para produzir metanol. Esse composto passa por processos químicos que transformam suas moléculas em hidrocarbonetos semelhantes aos encontrados na gasolina convencional.
O resultado é um combustível sintético que pode ser utilizado em motores a combustão. Segundo as informações da planta, o produto final apresenta octanagem de 93.
PROPOSTA É REDUZIR EMISSÕES DE VEÍCULOS JÁ EXISTENTES
A principal aposta do eFuel está na possibilidade de utilizar a infraestrutura já existente e abastecer veículos convencionais sem grandes alterações mecânicas.
A lógica da tecnologia é baseada na reutilização do carbono. O CO? retirado do ar durante a fabricação do combustível volta à atmosfera quando o eFuel é queimado pelo motor, criando um ciclo de carbono que, em determinadas condições, pode reduzir substancialmente as emissões líquidas.
A Porsche, que possui participação na HIF Global, considera o combustível sintético uma tecnologia complementar aos carros elétricos. A empresa avalia que a solução pode ajudar principalmente no processo de descarbonização da frota atual.
Além dos automóveis, os eFuels também são apontados como uma alternativa para setores em que a eletrificação direta apresenta maiores dificuldades, como a aviação, o transporte marítimo e algumas áreas da indústria química.
A planta de Haru Oni começou com uma capacidade piloto de aproximadamente 130 mil litros de eFuel por ano. O projeto prevê ampliações em etapas, com uma meta intermediária de 55 milhões de litros anuais e, posteriormente, uma capacidade de até 550 milhões de litros por ano.
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A expansão busca transformar a tecnologia de demonstração em uma alternativa de produção em maior escala e ampliar o uso do combustível sintético em veículos que já utilizam motores a combustão.