O candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ)
A decisão do Progressistas (PP) de impedir a entrada da senadora Tereza Cristina (MS) na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) representou mais um revés para o senador na busca por um candidato a vice e reforçou o movimento de afastamento do Centrão de sua campanha ao Palácio do Planalto.
A federação formada por PP e União Brasil mantém a estratégia de neutralidade na disputa presidencial, enquanto o Republicanos, que realiza sua convenção nacional na próxima terça-feira, também dá sinais de que seguirá o mesmo caminho.
Nas eleições de 2022, PP, Republicanos e PL integraram a coligação que apoiou Jair Bolsonaro na tentativa de reeleição. Já em 2018, o então PRB (atual Republicanos), o PP e o Democratas — hoje incorporado ao União Brasil — estiveram ao lado de Geraldo Alckmin (PSDB).
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Desta vez, porém, os principais partidos do Centrão demonstram resistência em embarcar na candidatura de Flávio Bolsonaro diante das sucessivas dificuldades enfrentadas pela campanha e das articulações estaduais já consolidadas, principalmente em regiões onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém forte influência política.
O mais recente revés foi confirmado na sexta-feira, quando o PP decidiu manter a neutralidade após consultar seus diretórios estaduais. A decisão ocorreu mesmo depois de Tereza Cristina informar que aceitava integrar a chapa e tentar convencer a legenda a rever sua posição.
A senadora foi comunicada oficialmente do resultado e, segundo nota divulgada pelo partido, acatou a decisão. O PP também descartou convocar uma convenção nacional para discutir uma possível adesão à candidatura de Flávio Bolsonaro.
O desfecho frustrou os planos do PL, que via em Tereza Cristina o nome ideal para ocupar a vice-presidência. Na avaliação da legenda, a senadora poderia aproximar a candidatura do agronegócio, ampliar o diálogo com o Centrão e oferecer maior capilaridade política ao projeto eleitoral.
Mesmo com a disposição de Tereza Cristina, dirigentes do PP concluíram que uma aliança nacional colocaria em risco acordos estaduais já firmados, especialmente no Nordeste, onde a federação mantém alianças com diferentes grupos políticos, inclusive partidos de esquerda. A avaliação predominante foi a de que a neutralidade garante maior liberdade para os diretórios estaduais montarem seus próprios palanques.
Nos bastidores, integrantes da cúpula do PP também demonstraram incômodo com a forma como Flávio Bolsonaro conduziu as negociações. Segundo dirigentes da legenda, a divulgação pública do nome de Tereza Cristina antes de uma definição partidária foi interpretada como uma tentativa de criar um fato consumado e aumentar o custo político de uma eventual negativa. Reservadamente, integrantes do partido classificaram a estratégia como equivocada.
A avaliação interna é que o senador repetiu a mesma estratégia utilizada anteriormente com o Republicanos. Antes de buscar o apoio de Tereza Cristina, Flávio havia indicado a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques como uma das principais opções para vice, mesmo sem haver um acordo prévio com a direção nacional da legenda à qual ela é filiada.
Agora, o Republicanos se tornou uma das últimas apostas do PL para evitar uma chapa formada exclusivamente por integrantes do partido. Flávio Bolsonaro pretende manter as conversas até a convenção nacional da sigla, marcada para terça-feira, na tentativa de convencer a direção a liberar Daniella Marques para compor sua chapa.
Nos bastidores, entretanto, a possibilidade de uma reviravolta é considerada pequena. Daniella Marques filiou-se ao Republicanos sem o conhecimento prévio do presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, e precisou recorrer à Justiça para validar sua filiação. Como o prazo para mudança de partido terminou em abril, ela também não pode migrar para outra sigla.
Após o fracasso das negociações com o PP, interlocutores de Flávio Bolsonaro também retomaram conversas com o Podemos e fizeram novas sondagens à presidente da legenda, deputada Renata Abreu. Apesar disso, o partido também sinaliza que não pretende aderir ao projeto presidencial do senador.
Mesmo diante das dificuldades, Flávio Bolsonaro resiste a admitir uma chapa exclusivamente formada pelo PL. A estratégia é manter as negociações até próximo do encerramento do prazo das convenções partidárias, previsto para 5 de agosto, na expectativa de uma composição de última hora.
Enquanto isso, o próprio PL já discute alternativas internas. Uma ala da legenda defende o senador Marcos Pontes (PL-SP), ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações do governo Jair Bolsonaro, como candidato a vice.
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Outro grupo insiste na escolha de uma mulher para integrar a chapa, com o objetivo de ampliar a identificação da candidatura com o eleitorado feminino. Entre os nomes cogitados dentro do partido estão as deputadas federais Bia Kicis (DF) e Julia Zanatta (SC), além da deputada estadual Priscila Costa (CE), aliada da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.