Alta acumulada neste mês acelerou de 19,71%, na segunda semana, para 24,98%, na terceira semana, segundo estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), com base em notas fiscais
Mesmo com a desoneração total dos tributos federais, o óleo diesel seguiu sua escalada inflacionária, por causa da disparada nas cotações de petróleo desde o início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã. Os preços do diesel S10 no atacado, cobrados pelas distribuidoras para os postos de combustível, saltaram 24,98%, na média nacional, no acumulado das três primeiras semanas de março, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), com base em notas fiscais.
Os reajustes aceleraram na semana terminada na última segunda-feira, dia 23. Na edição anterior do levantamento, com dados da semana terminada no dia 16, a alta acumulada no diesel nas distribuidoras era de 19,71%.
O levantamento sobre os preços da terceira semana de março foi feito com base na análise de 257 mil notas fiscais de distribuidoras de combustível. Nessa edição do estudo, o IBPT também monitorou preços no varejo, analisando 102 mil notas fiscais de postos de combustível, indicando que não há sinais de aumentos abusivos generalizados.
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GASOLINA E ETANOL TAMBÉM SOBEM
O IBPT também captou inflação na gasolina e no etanol. Na média nacional, os preços do atacado da gasolina comum acumulam alta de 9,01% até a terceira semana de março, enquanto o etanol hidratado comum registrou aumento de 1,39%.
Veja a comparação com o levantamento anterior do IBPT, para os preços dos principais combustíveis, da variação acumulada em março:
Diesel S10 comum: de 19,71% (2ª semana de março) para 24,98% (3ª semana de março)
Gasolina comum: de 5,24% (2ª semana de março) para 9,01% (3ª semana de março)
Etanol comum: -0,66% (2ª semana de março) para 1,39% (3ª semana de março)
A composição geográfica dos aumentos reforça os sinais de que a demanda em alta por diesel pela agropecuária — seja para os caminhões que escoam a produção de arroz, no Rio Grande do Sul, ou da soja, no Sul e no Cerrado — tem impactados as restrições de oferta. No Centro-Oeste, o diesel S10 no atacado acumula um salto de 30,79%.
Os preços para o consumidor também estão em alta. O IBPT não fez uma média nacional, mas o levantamento semanal da ANP, agência reguladora do setor, apontou uma alta acumulada, desde o início da nova guerra no Oriente Médio, de 19,4% no diesel nas bombas, até a última sexta-feira. No caso da gasolina, a alta acumulada está em 5,56%.
MARGENS APERTADAS
A comparação dos preços das distribuidoras com o que é cobrado pelos postos nos combustíveis vendidos aos consumidores finais indica um aperto de margens no varejo, conforme o levantamento do IBPT.
No diesel S10, houve redução de margens na maioria das regiões, na comparação do último dia 23 com a situação do início do mês. No Centro-Oeste, a redução foi de R$ 0,96 por litro. No Sudeste, as margens brutas ficaram R$ 0,54 por litro menores.
No caso da gasolina, os apertos de margem foram menores, enquanto, no etanol, os postos aproveitaram para aumentar o repasse para os consumidores. No Centro-Oeste, a margem do etanol aumentou R$ 0,90 por litro na comparação do último dia 23 com o início do mês. Na região Sul, o aumento foi de R$ 0,60 por litro.
Para o presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, a comparação dos preços no atacado e no varejo, com a constatação de aperto nas margens dos postos de combustível, é um sinal de que não tem havido reajustes abusivos.
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— Não está havendo abuso por parte dos postos. Eles estão trabalhando de acordo com as suas possibilidades — afirmou Amaral, lembrando que, embora a “aquisição de combustível” seja o principal componente do preço final cobrado no varejo, há uma série de outras variáveis, como o tamanho das empresas envolvidas e os contratos de fornecimento.