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Qual é o impacto do encontro de Lula e Trump nas negociações sobre o tarifaço? Especialistas respondem
Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação

Simbolicamente, reunião seguiu roteiro normal da diplomacia, evitando riscos de novos atritos, segundo analistas

A reunião deste domingo entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, dos EUA, em Kuala Lumpur, na Malásia, seguiu o roteiro normal dos encontros diplomáticos e, por isso, foi importante simbolicamente e como decisão política de negociar um acordo sobre o comércio bilateral, disseram especialistas ouvidos pelo GLOBO.

 

Agora, todas as atenções se voltam para a negociação de fato, entre os corpos técnicos da diplomacia. E o ponto principal, no curto prazo, é definir se a sobretaxa de 40% introduzida no início de agosto, ou até mesmo os 10% básicos anunciados em abril, poderão ser suspensos enquanto as conversas se desenrolam — como ocorreu nas negociações do governo Trump com outros países, inclusive a China.

 

Simbolicamente, o encontro seguiu o roteiro normal porque Trump e Lula fizeram o que presidentes costumam fazer em reuniões do tipo. Conversaram, apertaram as mãos, posaram para fotos, responderam a perguntas de jornalistas que acompanharam parte da agenda.

 

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E não houve qualquer situação constrangedora. Isso era um temor de bastidores da parte do Brasil, especialmente após Trump constranger o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, numa das primeiras reuniões entre os dois, na Casa Branca, e o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, que se viu obrigado a rebater o americano sobre um fantasioso “genocídio branco” que estaria em custo no país africano.

 

— Ninguém esperava que eles fossem falar na frente de jornalistas, isso já foi positivo — afirmou Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior e sócio da BMJ Consultores Associados.

 

 

A 'DECISÃO POLITICA' DE NEGOCIAR

 

O consultor chamou a atenção para o fato de que Trump disse publicamente que seus secretários deveriam seguir adiante com as negociações. É o que a especialista em comércio exterior Lia Vals, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), chamou de “decisão política”.

 

— Foi importante porque criou um canal efetivo de negociação. Ninguém imaginava que do encontro iria sair outra coisa, mas o importante foi a decisão política de sentar e negociar — disse Lia.

 

Agora, os olhos se voltam para essa negociação. Uma primeira reuniões entre representantes dos dois governos era aguardada para a manhã de segunda-feira, noite de domingo no Brasil, ainda na Malásia.

 

 

SÉRIE DE ACORDOS

 

Barral lembrou que o governo Trump aproveitou a viagem do mandatário americano para anunciar uma série de acordos comerciais com outros países da região. E os olhos de todo o mundo estão voltados para a aguardada reunião entre o americano e o presidente da China, Xi Jinping, que poderá ocorrer nos próximos dias, na Coreia do Sul.

 

Como um acordo com o Brasil poderá ser obrigado a esperar “na fila”, Barral considera fundamental o dispositivo de suspender o tarifaço enquanto as negociações se desenrolam.

 

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— O maior risco é a negociação levar muito tempo, e a tarifa continuar a ser aplicada — afirmou o ex-secretário de Comércio Exterior, lembrando que o agendamento de uma eventual visita de Lula à Casa Branca poderia ser um bom sinal de prazo para um acordo ser atingido.

 

Em relação aos itens que poderão ser colocados na mesa de negociações, os dois especialistas citaram as tarifa cobradas pelo Brasil sobre o etanol americano e sobre máquinas e equipamentos como exemplos de possíveis concessões do lado brasileiro.

 

Temas que já foram mencionados pelo lado americano, como a regulação das plataformas digitais das big techs e o acesso à exploração de terras-raras, foram considerados mais espinhosos.

 

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— Não pode dizer que vai dar exclusividade para os EUA (nas terras-raras). Não faz sentido — afirmou Lia Vals.

 

Fonte: O GLOBO

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